sexta-feira, 3 de julho de 2015

o gol do jogo

            aos trinta minutos do primeiro tempo, mais ou menos, saiu o gol do jogo na arena joinville, na última quarta-feira. após sucessivos lances nos quais a torcida do jec esbravejou contra a arbitragem, pela não marcação de possíveis faltas favoráveis ao time local, eis que o bandeirinha assinalou um impedimento em um lance de ataque do flamengo. o estádio veio abaixo. foi bonito de ver, apesar de, no momento, eu ter ficado um pouco confuso, perguntando-me se havia perdido algum lance magnífico em algum outro ponto do campo. o fox, então, disse-me: eis o gol do jogo.
            aliás, eu e o fox assistimos à peleja nas cadeiras, ou seja, entre torcedores do jec, como se fôssemos um deles – enquanto o pai e o fran vestiram o manto rubro-negro e foram ao setor visitante, como bons flamenguistas. bem verdade que em trinta e seis jogos do joinville nessa primeira divisão eu torcerei a favor, apenas em dois abrirei uma exceção, afinal, uma vez flamengo, sempre e em primeiro lugar, flamengo. então, ficamos camuflados no meio dos demais jequeanos, algo não muito difícil de se fazer – já cansei de torcer pelo fla estando na torcida do coxa, do paraná ou do atlético-pr, por exemplo. porém, em nenhuma delas eu observo o complexo de inferioridade que envolve a arena joinville, fator preponderante, a meu ver, para a vibração proveniente de uma marcação de impedimento.
a mania de perseguição impera nos torcedores representantes da maior torcida do estado de santa catarina, algo por si só contraditório. e os culpados, para eles, são vários: globo, rbs, cbf, federação catarinense de futebol, times de torcida grande e arbitragem. eu gosto do jec, torço pelo sucesso do jec, pago mensalidade como sócio do jec, mas não compactuo de tal atitude vitimada. nas arquibancadas, observo, impera o ódio contra o outro, os argumentos tornam-se escassos e tolo sou eu em esperar coerência em um estádio de futebol, eu sei.
analisando agora, mais de vinte e quatro horas depois da partida, aquele lance mencionado no início desta croniqueta – que a intitula, inclusive – eu alcanço algumas interpretações possíveis para tamanha comemoração por parte da torcida local a um lance tão comum no futebol, a partir do qual pouco se tem a comemorar, afinal, não era uma marcação de impedimento daquelas em que o jogador sairia sozinho na cara do goleiro. mas eu entendo o torcedor do jec: com um time tão insípido em criatividade e, consequentemente, na criação de jogadas de gol, torna-se necessário encontrar outros momentos para vibrar nas arquibancadas. e, convenhamos, foi bastante original a ocasião escolhida.
mas eu gostei mesmo na partida entre os dois times pelos quais eu torço nessa série a foi do goleiro do jec. esse rapaz, de nome agenor, tem um quê de neuer, o goleiro da alemanha, de tão exigido pelos próprios companheiro de time. pareceu-me, durante o jogo, que a jogada só poderia ser iniciada se houvesse uma bola recuada até ele, senão não valeria o lance. o guti, então, camisa três, tem fixação em voltar a bola ao goleiro e recebê-la no momento seguinte, para talvez voltar a recuar. quem sabe esteja aí uma nova oportunidade, à torcida do jec, de fazer tremer a arena joinville.

tirando isso, a partida foi normal, como têm sido as demais, no campeonato brasileiro, no qual a briga entre os times é visando a decidir, ao final dos noventa minutos, quem é o menos pior. e, na quarta-feira, o flamengo saiu vencedor, mesmo que não tenha conseguido ficar com a bola no pé por um minuto completo, igualmente ao jec. aliás, acrescento uma última constatação: a bola queima, eu tenho certeza. a cada rodada ela queima de modo mais intenso – tadinhos dos jogadores – e o nível do futebol brasileiro apaga-se, de rodada em rodada. contudo, nós, torcedores apaixonados por esse esporte, manteremo-nos presentes, seja nos estádios – ou elefantes brancos – distribuídos pelo país, seja em frente à tv, porque em uma partida é possível assistir a gols sem que para isso a bola precise entrar na goleira.

ítalo puccini 

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