sexta-feira, 3 de abril de 2015

eu odeio o fluminense


isto porque o amor e ódio se imanam nas fogueiras das paixões, conforme a elis regina cantava. e, sendo o fla um aprimoramento do flu – uma vez que o time de futebol daquele foi formado a partir do time de futebol deste – amor e ódio são duas palavras perfeitas para retratar o que eu sinto pelos dois: eu amo o fla e odeio o flu.
segundo nelson rodrigues, o flaxflu começou 40 minutos antes do nada.
para chico buarque, ser flamengo é, no mínimo, falta de imaginação.
e eu digo, enquanto um bom rubro-negro, que o flu abriu fronteiras no futebol, explorando novos campos: as séries b e c.
meu desgosto profundo pelo fluminense ocorre por alguns motivos racionais, tais como o fato de o clube ser o rei da maracutaia (paguem a série b, porra!) ou em função do discurso prepotente de que “somos a torcida mais bonita, mais elegante, mais fina” mais preconceituosa também.
mas meu verdadeiro ódio se deve a causos não racionais. não se explica porque se ama algo, da mesma forma com relação ao sentimento oposto. ou seja, eu não sei bem o porquê, mas eu o odeio. talvez eu inclusive esteja dando importância demais a este clube de várias divisões, mas e daí?! o futebol é irracional por natureza, ser torcedor, mais ainda.
            o pai esteve, por exemplo, no maracanã naquele flaxflu de 85, no qual a torcida do flamengo sentia que algo estava por acontecer. não arredou pé do estádio, até que, aos 45 do segundo tempo, o leandro acertou um balaço do meio da rua e empatou o jogo. foi festejado como título aquele gol. e uma semana depois o flamengo conseguiria perder para o bangu e ver o flu ser tricampeão estadual. ou seja, na época em que nós mais vencemos campeonatos – no brasil e no mundo –, na época em que nosso time era o melhor do país durante anos, nós não conquistamos título em cima deles. eis o futebol.
            eu nem era nascido, e eu escrevo utilizando a primeira pessoa do plural. grande coisa. antes mesmo de nascer eu já amava o fla e, por consequência, odiava o flu, portanto, eu participei daquela época vitoriosa, eu já era flamengo porque eu já tinha uniforme do fla pronto pra usar, assim que eu nascesse.
            nasci, comemorei muitos títulos desde então – muitos! – mas ainda falta um: falta ver o meu mengo vencer o time da série b na final de um campeonato, ao vivo, no maracanã. é o único motivo que me levaria ao rj para assistir a um jogo novamente. chega de ganhar do vasco e do botafogo. chega de ganhar copa do brasil de outros times. chega de ganhar taça guanabara. chega de ver o fluminense na série a sem ter subido pela série b.
            e chega de escrever. tou irritado já.
            vou voltar a este vídeo, a este brilhante documentário em que renato terra retratou o flaxflu da maneira mais humana que seria possível retratar: não há razão nos argumentos das pessoas que participam dele, e não-haveria-como-haver. o flaxflu é o que há de mais irracional no futebol. impossível ficar indiferente a isso. impossível ficar indiferente aos gols de falta do zico. ao gol de barriga (ou de mão?) do renato gaúcho. à série b que ainda não foi paga.
            o meu canto gregoriano é mais forte que o teu, torcedor tricolor. por isso:
MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENGOOOOOOOOOOOOOO

ítalo puccini