quinta-feira, 28 de novembro de 2013

torcer, pra mim, é algo que vem do berço



eu invejo meu pai. porque no dia 28 de agosto, depois do gol de elias, aos 43 minutos do segundo tempo do jogo contra o cruzeiro, ele me disse: vai ser campeão! e, três meses depois, tâmo aí, tricampeão da copa do brasil.

eu invejo meu pai. queria ter a segurança que ele tem ao afirmar um disparate como este – que não foi o primeiro, pois no título brasileiro de 09, dez rodadas pro final do campeonato, ele disse que o flamengo passaria todo mundo e levantaria a taça. inclusive, eu tava na dúvida, à época, se pagava a excursão pro jogo final, e ele me disse, na maior tranquilidade “vai. que vai ser campeão”.

há dois meses e meio o flamengo não tinha um time, e sim um bando em campo, além de um técnico covarde que abandonou o barco construído por ele mesmo. era um time desacreditado, brigando para não cair, tendo pela frente no mata-mata o então vice-líder do brasileiro, o botafogo. e lá tava meu pai, já pensando na fase seguinte: “quero enfrentar o goiás na semifinal”. dito e feito: uma goleada de 4x0 no fogo e um goiás, naquele momento cheio de moral, pela frente.

pois na semana da partida de ida da semifinal, lá veio o velho: “o flamengo ganha as duas”. e ganhou: 2x1 no serra dourada e o mesmo placar no maracanã.

somente então eu botei fé no time, mas com um pé atrás. e hoje eu entendo muito da minha desconfiança e da confiança do meu pai neste título: ele assiste aos jogos dos adversários do flamengo. ele sabe todos os jogadores de cada posição dos outros times e daí advieram as frases com tamanha convicção. enquanto eu dizia temer o atual vice-líder do brasileirão, ele até elevava o tom de voz para dizer o quanto o atlético-pr só jogava na base do chutão e tinha um time fraco. foi exatamente o que o furacão mostrou nos dois jogos da final.

por isso eu invejo meu pai. e também porque, apesar desses dizeres nostradâmicos, ele suou frio durante toda a final, até o momento em que elias, novamente aos 43 do segundo tempo, colocou a bola pra dentro. foi ali que meu pai voltou a respirar normalmente, fazendo valer seu dito de três meses atrás: vai ser campeão!

ítalo.

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