sexta-feira, 13 de julho de 2012

Salve o Corinthians

O campeão dos campeões.
Eternamente dentro dos nossos corações. De quem é torcedor e de quem é “anti”. Porque time com tamanha tradição está presente na vida de qualquer torcedor de futebol – querendo ou não. E esse foi um dos motivos que mobilizou o país todo durante a semana anterior, com a iminência do título da libertadores pelo clube paulista. O torcedor corinthiano deixou de respirar, tamanha ansiedade por algo mais esperado do que a volta do Messias para os católicos (futebol é tratado como religião por alguns, então posso comparar), e o secador-de-plantão (figura emblemática do esporte) quis negar até o último minuto a possibilidade de tal conquista.
            Que efetivamente aconteceu. (Como diria o mestre Nelson Rodrigues, estava escrito nas estrelas. Só não viu e não aceitou quem não quis – ou quem se prendeu a uma birra infantil). E que foi brilhante, empolgante, emocionante. E merecida. E eu, que não gosto de adjetivos para descrever algo, aqui os utilizo, para enfatizar que tal momento foi histórico no futebol mundial, pela grandeza deste clube, porque se não fosse grande como é, as gozações em torno de até então não ter uma libertadores não seriam tão prazerosas e repetitivas, e, consequentemente, quando ela se concretizou, não poderia deixar de ser épica como foi.
            Vaaaiii, Coriiinthians! – Taí um dos gritos mais legais já inventados no futebol.
         Um clube só é grande quando desperta no adversário o sentimento que o Corinthians desperta. Este sentimento de repulsa, de asco. Com o qual eu não compartilho, mas entendo. Entendo porque é da natureza do ser humano ser invejoso, e o ato de secar só existe – no esporte e na vida – graças à inveja. Ninguém quer ver o outro comemorando, podendo gritar na sua cara que é campeão. Então não somente se torce contra, como, mesmo com tal conquista, buscam-se respostas para desvalorizá-la. É a pequeneza humana engrandecendo a situação. Pouco importa quem ganhou antes a libertadores, muito menos quantas já ganhou. Do dia 04 de julho até mais ou menos esta data do ano que vem, o campeão da América é o Corinthians. E, assim sendo, é o torcedor corinthiano quem não somente pode, como deve, jogar isto na cara dos demais.
            O futebol é simples: quem ganhou, comemora. Quem perdeu, cala-se. E o mundo dá voltas e depois a ordem se inverte.
            Sendo flamenguista, solidarizo-me com o torcedor corinthiano. Não admito piadas que desmereçam uma pessoa por sua condição social. Do tipo: “dia de Flamengo e Corinthians é dia de paz nas ruas”. Ou: “não se sabe se são foguetes ou tiros sendo disparados”. Ignorância tem limite. E o limite é quando ofende o próximo. Eu sou flamenguista e sou professor e não me agrada nenhum tipo de violência, física nem verbal, muito menos preconceito, ainda mais pelo time que se torce. Daí que fiquei puto com a insistência nas brincadeiras contra corinthianos, após o título. Porque – repito – torcer contra faz parte do esporte, mas não reconhecer uma conquista é apenas demonstração de pequeneza e de ignorância.
            Ninguém mais do que o Corinthians mereceu a libertadores deste ano. Foi o melhor time, a melhor campanha (não perdeu nenhuma e sofreu apenas quatro gols). Joga um futebol consistente, sabe marcar, e pecou um pouco no poderio ofensivo. Não há motivos para questionar tal conquista. Muito menos para desmerecê-la. Meio mundo buscando desculpas para este título, e o Palmeiras, com um time medíocre, perto de vencer a Copa do Brasil. Vocês estão olhando para o lado errado, minha gente. Porque o time do Palmeiras é tão grande quanto, mas, no momento, é muito ruim. É um bando em campo, sem padrão nenhum, há um ano dependendo de bolas paradas. Não me agrada. Não é desse estilo de jogo de que gosto. Torço por uma conquista do Coritiba que, pra mim, tem um futebol muito mais equilibrado e bem jogado. Mas é apenas questão de gosto. Não se pode desmerecer história, muito menos envolver desrespeito no ato de torcer.
            E nesse momento... taí o Palmeiras campeão de um torneio em que não estão presentes os ~melhores~ do país. Merecido? Sim. Se foi campeão, tá merecido. Se gostei? Não. Mas isso pouco importa. No futebol me parece não caber o meu – o nosso – olhar racional.

(também publicada aqui). 

ítalo.

2 comentários:

Flavio Souza disse...

Parabéns,belo artigo,belas palavras!!

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Exato, meu caro Ítalo. Vale a paixão, o coração, a sensibilidade. Se fosse racional e lógico deixaria de ser futebol. Belo texto!

Saudações!!!