segunda-feira, 26 de março de 2012

homenagem às avessas


morreu o chico anysio. 

e alguns jogadores de futebol fizeram gols no final de semana.

um fato novo - e ruim.
outro fato comum - e legal.

agora, não existe contradição maior do que jogador de futebol homenagear o artista falecido indo pra frente da câmera e, com gestos e tudo, assim dizer: e o salário, óóóóó.

recuso-me a explicar.

escolheram a homenagem errada.

ítalo.

terça-feira, 20 de março de 2012

proibição


a fifa deveria proibir

o messi

de fazer 

gol por cobertura. 


pelo bem do futebol.


ítalo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Comparar futebolisticamente falando

            O título contendo uma variação da palavra “futebol” é proposital, uma vez que deste espaço o leitor espera um escrito com referências literárias. Não será bem assim, mas também não será tão diferente. Talvez venha a ser como naquela música do Lulu Santos: “Não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim”. Continuemos.
            O personagem Pedro, do livro “A distância das coisas”, escrito pelo Flávio Carneiro, conversou comigo diversas vezes no ano passado. E este ano já estamos retomando os papos. Foram várias releituras, porque ler tem isso de ser melhor ainda ao reler. A gente não cansa de se descobrir junto aos personagens. E se tem coisa sobre a qual eu e Pedro conversamos é a respeito do que o próprio nome do livro propõe: o quanto tomar distância das coisas é salutar. Para uma série de coisas. Entre elas, para comparar. Isso mesmo, comparar alhos com bugalhos, por exemplo.
(Desta vez vou tentar uma troca: clichês por ditados – que não deixam de ser clichês, mas tá).
Uma dos dizeres do Pedro é assim: “é preciso comparar para sentir a distância das coisas”. E não é verdade? E não tem razão o menino? (Sim, Pedro é um menino de 14 anos). É preciso comparar não só para sentir a distância das coisas, como também para medir algumas coisas.
(Agora vem a parte da crônica em que substituo a literatura pelo futebol. Por mais que em muitos livros eles estejam juntos, não será o caso aqui, conforme já esclarecido).
Comparar grandes jogadores com jogadores medianos, por exemplo. Muito válido. Há fáceis argumentos para isto. Algo tão tranquilo quanto comparar times de grande expressão com times de menor expressão. Há mais argumentos para isso. A dificuldade, a meu ver, consiste em comparar dois elementos – neste caso, times e jogadores de futebol – considerados acima da média.
Tente comparar jogadores como Zico, Maradona, Sócrates, Falcão, Dinamite (dos anos 80 pra trás) com Ronaldo, Romário, Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo (anos 90 em diante). Pelé e Garrincha devidamente fora de cogitação para comparar, algo que já se apresenta como um pré-julgamento. E tantos outros jogadores, não citados aqui, que encantaram milhares de torcedores pelo mundo.
Tudo isto pra chegar a um ponto, e para finalizar esse blábláblá futebolístico, afinal de contas, o futebol, hoje em dia, só não é mais chato e irritante do que o ECAD cobrando pelos vídeos musicais postados em blogs: vamos parar com essa infantilidade de comparar o Messi e o time do Barcelona aos outros grandes jogadores e times que o futebol já viu?  Será que é tão complicado assim simplesmente reconhecer que estamos vivendo uma era chamada Barcelona-Messi? E que, sendo era, estará registrada na história do futebol mundial? Em um duelo de gigantes não existem pontos fracos ou perdedores (viva o clichê!). Messi é o melhor jogador do mundo há três anos e o Barcelona é o melhor time do mundo há três anos. Assim como tantos outros já foram e tantos outros ainda serão.
Tem razão o Pedro, “é preciso comparar para sentir a distância das coisas”. O que não significa dizer que algo será maior ou melhor do que outro algo – futebolisticamente falando. Apenas excelentes, cada um no seu tempo.
(Comparar livros, então. Pode render uma outra crônica, quem sabe. Vou pensar em alguns autores ou títulos. Aceito sugestões).

Ítalo Puccini.
(também publicada aqui)