domingo, 16 de setembro de 2012

literal e literário


"Garrincha

a maior glória do futebol
nasceu em Pau Grande só
pra sacanear o vernáculo.
e pra zombar da anatomia,
perna torta.

(chacal)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

twitt fora do twitter #10



uma vez eu sonhei em ser comentarista futebolístico. 'inda bem que deu tempo de voltar atrás. não sirvo pra comentar a vida alheia. 

ítalo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Salve o Corinthians

O campeão dos campeões.
Eternamente dentro dos nossos corações. De quem é torcedor e de quem é “anti”. Porque time com tamanha tradição está presente na vida de qualquer torcedor de futebol – querendo ou não. E esse foi um dos motivos que mobilizou o país todo durante a semana anterior, com a iminência do título da libertadores pelo clube paulista. O torcedor corinthiano deixou de respirar, tamanha ansiedade por algo mais esperado do que a volta do Messias para os católicos (futebol é tratado como religião por alguns, então posso comparar), e o secador-de-plantão (figura emblemática do esporte) quis negar até o último minuto a possibilidade de tal conquista.
            Que efetivamente aconteceu. (Como diria o mestre Nelson Rodrigues, estava escrito nas estrelas. Só não viu e não aceitou quem não quis – ou quem se prendeu a uma birra infantil). E que foi brilhante, empolgante, emocionante. E merecida. E eu, que não gosto de adjetivos para descrever algo, aqui os utilizo, para enfatizar que tal momento foi histórico no futebol mundial, pela grandeza deste clube, porque se não fosse grande como é, as gozações em torno de até então não ter uma libertadores não seriam tão prazerosas e repetitivas, e, consequentemente, quando ela se concretizou, não poderia deixar de ser épica como foi.
            Vaaaiii, Coriiinthians! – Taí um dos gritos mais legais já inventados no futebol.
         Um clube só é grande quando desperta no adversário o sentimento que o Corinthians desperta. Este sentimento de repulsa, de asco. Com o qual eu não compartilho, mas entendo. Entendo porque é da natureza do ser humano ser invejoso, e o ato de secar só existe – no esporte e na vida – graças à inveja. Ninguém quer ver o outro comemorando, podendo gritar na sua cara que é campeão. Então não somente se torce contra, como, mesmo com tal conquista, buscam-se respostas para desvalorizá-la. É a pequeneza humana engrandecendo a situação. Pouco importa quem ganhou antes a libertadores, muito menos quantas já ganhou. Do dia 04 de julho até mais ou menos esta data do ano que vem, o campeão da América é o Corinthians. E, assim sendo, é o torcedor corinthiano quem não somente pode, como deve, jogar isto na cara dos demais.
            O futebol é simples: quem ganhou, comemora. Quem perdeu, cala-se. E o mundo dá voltas e depois a ordem se inverte.
            Sendo flamenguista, solidarizo-me com o torcedor corinthiano. Não admito piadas que desmereçam uma pessoa por sua condição social. Do tipo: “dia de Flamengo e Corinthians é dia de paz nas ruas”. Ou: “não se sabe se são foguetes ou tiros sendo disparados”. Ignorância tem limite. E o limite é quando ofende o próximo. Eu sou flamenguista e sou professor e não me agrada nenhum tipo de violência, física nem verbal, muito menos preconceito, ainda mais pelo time que se torce. Daí que fiquei puto com a insistência nas brincadeiras contra corinthianos, após o título. Porque – repito – torcer contra faz parte do esporte, mas não reconhecer uma conquista é apenas demonstração de pequeneza e de ignorância.
            Ninguém mais do que o Corinthians mereceu a libertadores deste ano. Foi o melhor time, a melhor campanha (não perdeu nenhuma e sofreu apenas quatro gols). Joga um futebol consistente, sabe marcar, e pecou um pouco no poderio ofensivo. Não há motivos para questionar tal conquista. Muito menos para desmerecê-la. Meio mundo buscando desculpas para este título, e o Palmeiras, com um time medíocre, perto de vencer a Copa do Brasil. Vocês estão olhando para o lado errado, minha gente. Porque o time do Palmeiras é tão grande quanto, mas, no momento, é muito ruim. É um bando em campo, sem padrão nenhum, há um ano dependendo de bolas paradas. Não me agrada. Não é desse estilo de jogo de que gosto. Torço por uma conquista do Coritiba que, pra mim, tem um futebol muito mais equilibrado e bem jogado. Mas é apenas questão de gosto. Não se pode desmerecer história, muito menos envolver desrespeito no ato de torcer.
            E nesse momento... taí o Palmeiras campeão de um torneio em que não estão presentes os ~melhores~ do país. Merecido? Sim. Se foi campeão, tá merecido. Se gostei? Não. Mas isso pouco importa. No futebol me parece não caber o meu – o nosso – olhar racional.

(também publicada aqui). 

ítalo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

as verdadeiras jogadas futebolísticas


1. gol de bico: protagonizado por pato, ganso e outra aves.
2. claramente, a jogada lambreta é quando entra aquele veículo motorizado no campo e leva o jogador embora.
3. a chaleira evidentemente foi uma jogada inventada na inglaterra, quando às five o'clock, todos os jogadores interrompiam a partida para o chá.
4. a jogada lençol é configurada quando um jogador homossexual encobre o outro também homossexual com um lencolzinho rosa.
5. carrinho é quando o jogador troca a bola pelo hot wheels.
6. o voleio obviamente foi uma jogada inventada pelo bernardinho.
7. o gol de letra ganhou esse nome quando o machado de assis marcou aos 45 do segundo tempo contra l'academie française.
8. cavadinha é necrofilia, triangulação é traição, esquema tático é suruba e catimba é fingir orgasmo.
9. bola com efeito é o que tomam nas raves.
10. impedimento é quando o jogador toma cartão vermelho, ou seja, fica impedido de jogar.
11. bola com efeito é aquela bola com haduguem.
12. e quando o cara vai chutar o pênalti e telegrafa para o goleiro? que burro! manda um sms, que ultrapassado!
13. entrada por trás não precisa explicar, né?

(via @choracuica)

ítalo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Torcedor camaleão


Aprendi a torcer por um time por influência de meu pai e de meu avô. Por dois times, na verdade. Pelo Flamengo e pelo Caxias, este de Joinville, Bicampeão Estadual em 1954/55. Time campeão no qual meu avô, Vilmar Puccini, foi goleiro por dez anos. Eu e pai até escrevemos livro contando a vida vitoriosa do vô (84 anos recém-completados), no futebol e no trabalho de longos anos na Tigre S/A – publicamos “A trajetória de Puccini” em março de 2009 –, afinal, naquela época jogador de futebol também trabalhava ‘normalmente’ 8 horas por dia em uma empresa. Treinos eram artigos de luxo. Não existia essa mordomia de hoje, em que os jogadores treinam a semana inteira para errar o mais elementar dos passes durante o jogo. Enfim.
São dois modos diferentes de torcer. O Flamengo joga todo ano, o ano todo. Tem mídia excessiva e qualquer espirro vira epidemia. Já o Caxias não joga todo ano, muito menos o ano todo, quando joga. Tem pouca mídia na cidade de Joinville, e nem um caso de Gripe A acho que faz virar notícia. O Flamengo eu pouco assisto ao vivo. Mas estive no jogo mais importante dos últimos anos para o clube, a final do Brasileirão de 2009, no Maracanã: o jogo do hexa. Já o Caxias, quase sempre que joga, eu assisto no Ernestão. Dois estádios muito diferentes. Dois times muito diferentes. O torcer, da mesma forma, diferente.
            O fato é que gosto muito de estar em uma arquibancada acompanhando um jogo. Agrada-me tanto que este ano, morando em Joinville, tornei-me sócio do Joinville Esporte Clube para acompanhar os jogos da Série B ‘in loco’. Não tenho apreço nenhum pelo JEC, assim como não tenho desgosto. Aproveito o lugar do time na segunda divisão para ver de perto times rodados do país. E para sentir novamente o que é estar em um estádio. Baita sensação!
            E não há nada mais gostoso do que não torcer para nenhum dos dois times aos quais você está assistindo. E ainda por cima observar as reações dos torcedores – estes, sim – apaixonados pelo clube da cidade. Uma diversão e tanto. Sem contar as ‘peças’ com as quais você se depara numa arquibancada: o velhinho sem dentes – mas que consegue como poucos gritar, a favor ou contra; a criança com menos de dez anos que já sabe a escalação do time e reconhece cada jogador; o senhor com o fone nos ouvidos, que a cada cinco minutos informa o tempo do jogo a quem está por perto; e o tio da bebida, que berra em alto e bom som “cerveja só pra mim. Quem quer água e refri?”. E eu sou bom nisso de interpretar, futebolisticamente falando: sei falar bem do time “Tá jogando bonito hoje, hein? Que orgulho!”, assim como sei xingar com propriedade “Que time de bosta mesmo! Levanta daí, seu vadio!”. Ainda recebo abraços entusiasmados no momento de um gol, nos dias de ‘casa cheia’.
            Aprendi, nisso de torcer, a gostar de times que buscam o ataque, que criam oportunidades de gol, que envolvem o torcedor na esperança do grito de gol. Torço sempre por jogos em que os times se predisponham a isso. Sou muito camaleão. (Aliás, quem não é? Isso de secar o rival torna qualquer torcedor muito camaleão. Troca de camisa de time semanalmente. Mas não admite). Eu torço pra saírem muitos gols, dos dois lados, sendo bastante discreto, é claro. Aprendi também que a coisa mais importante numa partida de futebol é o gol. Tanto que é declarado vencedor o time que mais vezes faz gol, não importando o desempenho em si dentro de campo. Infelizmente, o futebol ainda permite a um time abdicar do ataque e, ainda assim, vencer com um ‘gol espírita’, um contra-ataque, uma única chance em 90 minutos. Questão de oportunismo. O mundo é oportunista, etcetal. Não sei se um dia me acostumarei com isto. Até lá, permanecerei no meu método: torcer um pouco pr’um time, um pouco pr’outro.

ítalo. (também publicada aqui). 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

todo futebol tem seu fim


e o barcelona de pep guardiola chegou ao fim. o time mais fantástico e brilhante que eu já vi jogar. 13 títulos em 18 disputados. 

e a capacidade de sentir que chegou a hora de buscar outros caminhos:
"Lamento profundamente ter perdido a energia necessária para continuar. Minha cabeça sabia que era o último ano."
eu também lamento.

claro que é fácil treinar um time com o barcelona. tão fácil quanto afastar jogadores como ronaldinho gaúcho e eto'o e deco e etc. saber o momento em que um gênio se torna decadente é para poucos. 

mas tenho um fio de esperança de que o futebol aprenderá com o que este treinador e este time fizeram. pouco me importa qual será o próximo time a jogar o futebol mais bonito do mundo. se continuará a ser o barça ou não. só quero que exista um tão dominador e corajoso quanto este barcelona, que há quatro anos não sabe o que é ter menos posse de bola do que o time adversário. que faz potências mundiais como real madrid e chelsea e manchester jogarem com os onze no próprio campo de defesa. que se impõe pelo toque de bola. 

o resultado é consequência.
que bom que não ganhou os 18 torneios esse time. 
teria gente se suicidando com isso.

ítalo.

domingo, 22 de abril de 2012

fálico


hora de finais é a exaltação do torcedor. não existe memória. existe o presente. acho lindo isso. sem ironia.

e acompanhar tantos jogos ao mesmo tempo me fez perceber o quanto o esporte - que tem como maior público o sexo masculino - é fálico.

não há jogo sem que se ouça ou se leia: CHUPA!

parece-me que há muito mais prazer no futebol do que desconfia nossa vã filosofia.

ítalo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

só aqui em catarina


que um time vence os dois turnos da bosta do estadual e ainda'ssim tem que disputar jogos finais pra daí, sim, ser conhecido o campeão.

depois dizem que o futebol continua interessante.

ítalo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"estou longe, longe,

estou em outra estação".

canta o renato russo no último disco da banda, lançado postumamente, chamado "uma outra estação".

sou eu. em relação ao futebol.

não mais sinto emoção ao ver o meu time vencer um clássico com um gol de pênalti no último minuto.
não mais sinto tristeza ao ver meu time ser eliminado na primeira fase da libertadores com um gol - em outro jogo - no último minuto.
não tou nem aí se tomaram o empate depois de estarem ganhando por três a zero, há algumas semanas.
e pouco me importo se algum outro clube nacional esteja bem em alguma competição.
e cheguei ao ponto de torcer contra, porque quero ver a casa cair e o circo pegar fogo. 

futebol sem paixão não é futebol.

e, do jeito que ele está, não me serve mais para nada. nenheu para ele. 
o meu caminho está no não-torcer. 
é preciso começar do zero.

tou pronto.

ítalo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

homenagem às avessas


morreu o chico anysio. 

e alguns jogadores de futebol fizeram gols no final de semana.

um fato novo - e ruim.
outro fato comum - e legal.

agora, não existe contradição maior do que jogador de futebol homenagear o artista falecido indo pra frente da câmera e, com gestos e tudo, assim dizer: e o salário, óóóóó.

recuso-me a explicar.

escolheram a homenagem errada.

ítalo.

terça-feira, 20 de março de 2012

proibição


a fifa deveria proibir

o messi

de fazer 

gol por cobertura. 


pelo bem do futebol.


ítalo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Comparar futebolisticamente falando

            O título contendo uma variação da palavra “futebol” é proposital, uma vez que deste espaço o leitor espera um escrito com referências literárias. Não será bem assim, mas também não será tão diferente. Talvez venha a ser como naquela música do Lulu Santos: “Não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim”. Continuemos.
            O personagem Pedro, do livro “A distância das coisas”, escrito pelo Flávio Carneiro, conversou comigo diversas vezes no ano passado. E este ano já estamos retomando os papos. Foram várias releituras, porque ler tem isso de ser melhor ainda ao reler. A gente não cansa de se descobrir junto aos personagens. E se tem coisa sobre a qual eu e Pedro conversamos é a respeito do que o próprio nome do livro propõe: o quanto tomar distância das coisas é salutar. Para uma série de coisas. Entre elas, para comparar. Isso mesmo, comparar alhos com bugalhos, por exemplo.
(Desta vez vou tentar uma troca: clichês por ditados – que não deixam de ser clichês, mas tá).
Uma dos dizeres do Pedro é assim: “é preciso comparar para sentir a distância das coisas”. E não é verdade? E não tem razão o menino? (Sim, Pedro é um menino de 14 anos). É preciso comparar não só para sentir a distância das coisas, como também para medir algumas coisas.
(Agora vem a parte da crônica em que substituo a literatura pelo futebol. Por mais que em muitos livros eles estejam juntos, não será o caso aqui, conforme já esclarecido).
Comparar grandes jogadores com jogadores medianos, por exemplo. Muito válido. Há fáceis argumentos para isto. Algo tão tranquilo quanto comparar times de grande expressão com times de menor expressão. Há mais argumentos para isso. A dificuldade, a meu ver, consiste em comparar dois elementos – neste caso, times e jogadores de futebol – considerados acima da média.
Tente comparar jogadores como Zico, Maradona, Sócrates, Falcão, Dinamite (dos anos 80 pra trás) com Ronaldo, Romário, Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo (anos 90 em diante). Pelé e Garrincha devidamente fora de cogitação para comparar, algo que já se apresenta como um pré-julgamento. E tantos outros jogadores, não citados aqui, que encantaram milhares de torcedores pelo mundo.
Tudo isto pra chegar a um ponto, e para finalizar esse blábláblá futebolístico, afinal de contas, o futebol, hoje em dia, só não é mais chato e irritante do que o ECAD cobrando pelos vídeos musicais postados em blogs: vamos parar com essa infantilidade de comparar o Messi e o time do Barcelona aos outros grandes jogadores e times que o futebol já viu?  Será que é tão complicado assim simplesmente reconhecer que estamos vivendo uma era chamada Barcelona-Messi? E que, sendo era, estará registrada na história do futebol mundial? Em um duelo de gigantes não existem pontos fracos ou perdedores (viva o clichê!). Messi é o melhor jogador do mundo há três anos e o Barcelona é o melhor time do mundo há três anos. Assim como tantos outros já foram e tantos outros ainda serão.
Tem razão o Pedro, “é preciso comparar para sentir a distância das coisas”. O que não significa dizer que algo será maior ou melhor do que outro algo – futebolisticamente falando. Apenas excelentes, cada um no seu tempo.
(Comparar livros, então. Pode render uma outra crônica, quem sabe. Vou pensar em alguns autores ou títulos. Aceito sugestões).

Ítalo Puccini.
(também publicada aqui)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

gozação rapidinha


gozação é assim, tem que ser rapidinha, senão perde a graça e o time.

a bonita do vídeo aí tocou e cantou uma paródia zoando o vasco pelo vice da guanabara. ficou legal, bem ritmada, afinada, astral bom. curti. (parêntese rápido para defender essas músicas que ficam na moda. elas servem muito para torcidas de futebol. muito. elas tornam o jogo mais divertido. talvez a única coisa que dê graça no futebol ainda sejam as paródias. e elas quase só são possíveis com essas músicas-momentâneas).

mas eu fiquei pensando em como não faz muito sentido ela zoar um time que chegou à final eliminando o time pelo qual ela torce.

e daí pensei: e desde quando o futebol faz sentido? e desde quando o futebol é algo lógico?

isso explica porque um torcedor ridiculariza um outro torcedor por ter sido vice. é o famoso bordão "gozar com o pau dos outros é bem mais fácil". 

isso tudo aqui não é defesa nenhuma de que se deve valorizar o segundo colocado e blábláblá. nem uma reclamação de que as coisas são assim. até acho engraçado elas assim serem. até acho engraçado essa não-coerência de torcedor. desde que ela não passe do tempo de uma paródia. e só.

este escrito é apenas uma constatação, do quanto as coisas no futebol duram o tempo que têm que durar: noventa minutos e mais três de gozação. e muitas risadas. passou disso eu viro as costas e deixo falando sozinho.

ítalo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

a única coisa que tem me agradado no futebol é o barcelona

inclusive quando ele perde, o que mostra que até os melhores times perdem. porque isso é do futebol. o que não é do futebol é esse bando de times horrorosos sendo campeões simplesmente porque os adversários são ainda piores.
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Esmero e obsessão

Como Pep se tornou Guardiola

ALEXANDRE GONZALEZ

TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD

ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI
 
RESUMO
Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.

"Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida..."

Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.

O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.
   

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ainda essa coisa chamada futebol

O futebol continua afastado de mim. Mim continua afastado do futebol. Relação recíproca ao ponto de me permitir tal abuso com a língua portuguesa. Porque existe quase que um ódio de mim para ele. Parece o término de uma relação, em que um sentimento contrário vem substituir o que existia, com uma carga emocional cruel e bem direcionada. O detalhe é que eu sinto isso, mas o futebol não sente nada para comigo. Assim me parece.
Sou um louco pelo futebol. Só que ao contrário. Quase uma esquizofrenia às avessas.
Aquilo que não te dá alegria te dá alergia, disse-me a Lílian Alcântara, fazendo referência ao futebol, e é bem assim que tem sido. E eu cheguei a acreditar que com o começo de um ano novo eu sentiria de maneira diferente isso de acompanhar tal esporte, um desejo de voltar a me encantar como outrora, de acompanhar com entusiasmo, sentindo vitórias e derrotas como devem ser sentidas, sem a indiferença que grudou em mim para a maior parte dos jogos durante um ano todo.
Ainda converso sobre o assunto, sobre jogos que estão acontecendo, sobre as chatíssimas contratações e especulações do momento. Mas me faço de desentendido, não aprofundo discussão, não emito grandes opiniões. Abracei o senso comum futebolístico como forma de repelir. E fiz uma promessa a mim mesmo de que não assistirei a nenhum jogo que seja de algum campeonato estadual, porque sadomasoquismo tem limite – por mais que não pareça. E é claro que como em toda promessa, recaídas acontecerão.
Escrever vezemquando sobre isto é uma forma que encontrei de terapiar a respeito, já que não me convém ocupar o precioso tempo semanal de terapia falando sobre futebol – seria dar muita moral a este ser (aqui já passo a tratá-lo como um ser, olha o grau da loucura) tão capaz de nos abstrair do mundo por breves ou longos noventa minutos. É um ópio, sem dúvida. É uma droga. Passado o efeito, cai-se na podre realidade que é este negócio movido a dinheiro e a conchavos políticos e blábláblá. Até o próximo jogzzzzzzzzzzzzz.
Um dia, de repente, eu volto a sentir prazer em assistir a times dos quais gosto muito. Até lá, continuarei curtindo meu alheamento esportivo, que nada tem a ver com o momento de um time ou de outro, e sim com o momento meu e do esporte de modo geral. É muita coisa ruim para dar atenção, muita coisa repetitiva da qual me enjoei. Aí tem isso de se afastar, ficar longe mesmo, e ressignificar mais pra frente. 
(publicado aqui).
ítalo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

o futebol



quando não dá alegria, dá alergia.

sábia frase da @LilianAlcantara endereçada a mim via twitter. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

voltando


é bem nítido meu afastamento futebolístico nos últimos meses. consequentemente, também aqui no blog. 

a mim é muito natural esse encantamento e desencantamento com o futebol. nem dou importância. deixo rolar.

o ano começou e o futebol profissional só na europa por enquanto. e é de lá que vem uma luz boa para atualizar este espaço. 

a volta de henry ao arsenal. a identificação de um jogador com um clube. e um gol nessa volta. 

a vida é bem melhor do que um filme. às vezes.

ítalo.