segunda-feira, 25 de abril de 2011

torcedora "in loco"

assim que eu li os twitts da lilian, pensei em convidá-la a escrever aqui para o um-sentir a experiência de assistir a um jogo do seu time do coração, o cruzeiro, ao vivo pela libertadores 2011, lá no paraguai. convite feito, convite aceito. segue o texto apaixonado desta torcedora que tem, sim, muitos motivos para sorrir com o belíssimo desempenho do time no ano. e fica a minha torcida, por ela e por todos os cruzeirenses, de que neste ano o clube deixe de derrapar na hora "h" e fature a liberta ou o nacional. ou os dois, sei lá. tá merecendo há tempo.
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Qual torcedor não sonha em ver seu time de perto, conversar com os jogadores, ou até jogar pelo time? Como diria um famoso cruzeirense aí "quem não sonhou em ser um jogador de futebol"? Mas o que me parece mais incrível é que no futebol nos contentamos com a função de torcedor, sentamos na arquibancada pra assistir, devoramos tudo que é lançado ou publicado com o nome do time, o egocentrismo acaba. Isso é lindo! Lindo! O estádio é o lugar em que podemos dar aqueles gritos que ficam presos na garganta da madrugada, que pulamos, berramos, cantamos sem o menor pudor, ninguém tem vergonha de cantar o hino do clube em voz alta.


E é por isso que tanto me encanta ir ao estádio ver meu Cruzeiro jogar. Como nasci no interior de Minas, quase não tive oportunidades de ver o time, e das poucas que tive acabei não aproveitando todas. Agora morando em Foz do Iguaçu, descobri que com 40 reais eu poderia ir e voltar para a capital paraguaia, mais uns 15 reais para o jogo e algum pacote de biscoitos na mala para não passar fome, me mandei! Quase sem dinheiro, com uma constelação no peito e outra pendurada na cintura fiz 300KM pra dentro do país-guarani, muita coisa na cabeça, sozinha, sem ter onde chegar, seria dramático se não fosse futebol.


E se depois de tanta viagem o time perde? E se sou roubada e não tenho dinheiro pra voltar depois? E se me perco na cidade e não chego ao Defensores del Chaco? E se...



Perdi o medo numa das paradas na viagem. Cheguei em Assunção com meu espanhol "uruguacho" me passando ora por brasileira-torcedora-fanática, ora por uruguaia-turista. Uma chipa aqui, uma milanesa ali, uma empanada pra cá e já era hora de vestir o manto e ir ao jogo. Dale, dale, Zêro! Nem lembro qual linha de ônibus tomei, sei que não era a linha mais utilizada para ir ao estádio, pois a parada mais próxima - indo por este ônibus - ficaria a três quarteirões do Defensores, mas por alguma sorte, ou seja lá como gostam de chamar esses acasos da vida, encontrei um torcedor do Guarani, indo no mesmo ônibus e que trabalha na imprensa esportiva e... teria acesso a sala de imprensa pós-jogo e.... me levaria.


Perfeito!

Me surpreendi quando do lado de fora do estádio, ainda comprando meu bilhete pra partida de "Guarani x Cruzeiro de BeLHO Horizonte" só se ouvia a torcida do Cruzeiro, quase um Mineirão. Aquilo era um caldeirão azul: "Hoje larguei tudo pra te ver, faço isso por amor, dou a vida por você..", entrei e não era pra menos, havia uns 200 cruzeirenses contra exatos 65 torcedores do time adversário. Aquela sensação única de estar à beira do gramado, estourar a garganta de tanto cantar, rasgar o vento com a camiseta branca lá no alto, tudo é lindo e poético, ali, entre o torcedor e o gramado, sem o auxilio daquele tubo televisivo tudo é perfeito, nenhum passe é errado, o erro é parte do jogo e não há porque se estressar. Cada toque na bole é um "olé", depois de sabe-se lá quantos quilômetros rodados, e isso inclui os que vieram de Minas pro jogo. Qualquer tabelinha é gol.

Um 2x0 que poderia ser muito mais amplo, mas que resultou num Cruzeiro classificado em primeiro lugar do grupo. Como se não bastasse aquele jogo com sabor de dono da casa e a torcida numa interação perfeita, ao fim do jogo ainda tive a oportunidade de ir ao vestiário, falar aquelas coisas que a gente sempre quer falar pro treinador, abraçar os jogadores e renovar o espírito torcedor, que tá aguardando o tri este ano, como nunca. 

Eu fui a um baile em Assunção, capital do Paraguai...


Lilian Alcântara
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ítalo.

4 comentários:

Lílian Alcântara disse...

acabo de conseguir passar a foto, amanha te posto por e-mail... e valeu por mais essa oportunidade de escrever aqui... abração Ita!!

Bruno disse...

Olá Ítalo obrigado pelos comentários no meu blog. Estou colocando seu link à disposição.
Valeu.

Bruno
www.futebolsempreonline.blogspot.com

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Belíssimo texto. Tradução exata do momento do time. Só não pode, como vc frisou, derrapar na hora H.

Saudações!!!

Will disse...

Pois é Italo... o Cruzeiro hoje é na minha opinião o melhor time do Brasil, mas convenhamos que sempre que chega a final recua e não tem iniciativa... Ontem foi um time corajoso, mas até quando???

vlw