quinta-feira, 18 de novembro de 2010

o cotidiano que nos engole


o cotidiano é isso. é aquilo que nos engole sem que percebamos. é o que deixamos de ver por ser tão óbvio. por ser tão corriqueiro. é aquilo ao que nos acostumamos, e então achamos normal. é o erro do juiz e do bandeirinha por ser ser humano. é o corpo mole de um time porque é rival do outro. é uma sequência de títulos que cai na trivialidade.

é assim que tenho percebido com a malweefutsal - principalmente na cobertura jornalística feita aqui no sul do país, mais especificamente em santa catarina. 

é a sexta final seguida desta equipe na liga nacional de futsal (sem contar as outras sequências de títulos em outros campeonatos neste esporte). é o time de falcão, lenísio, tiago, neto e outros selecionáveis com frequência. ou seja, é o time da obrigação de chegar à final. ou seja, malwee na final? tá, e daí? para que comentar isso em nota de colunista de jornal? ou pra que fazer uma matéria ressaltando a competência do time em tal feito?

então o que acontece é este não-comentário. ou, o que é pior, é o comentário que deprecia uma sexta final seguida sob o argumento de que este super-time não faz mais do que a obrigação.

isto é uma falha gravíssima. em termos jornalísticos e em termos de observar a vida ao nosso redor. é a prova de que nos acostumamos com o que não devemos nos acostumar. 

parece-me o mesmo exemplo do time que abre 5x0 no primeiro tempo, mas que tira o pé no segundo tempo, em respeito ao adversário, ou porque cinco já está bom mesmo. 

não pode!

se 5x0 está bom, significa que nos acostumamos com pouco. 

se chegar a uma sexta final de campeonato brasileiro, seguidamente, cai no que é comum, e assim é tratado pelos meios de informação, então é porque olhamos torto e raso para aquilo que deve ser destacado.

a fala empolgada, nesta final, é para o time de marechal rondon (pr), que está na final pela primeira vez e que faz uma campanha brilhante e é um time encardido e tudo o mais. ótimo. louve-se este time que pela primeira vez chega a uma final. mas, mais do que isso, reconheça-se uma marca como a que a malweefutsal alcançou este ano (e que pode ficar ainda maior se vencer e for tetracampeã).

é uma inversão de valores que assusta.

mas em partes, somente.

pois não é miragem a brincadeira do: que sem graça, ganhamos de novo. 

uma simplória frase com teor humorístico que denota uma verdade muito maior.

ítalo.

3 comentários:

Franccesco disse...

Muito bom!

G. F. Busnardo (Gui) disse...

Curti Ítalo!
Podes crer, Malwee na final se tornou algo tão comum, que poucos valorizam tal trabalho, que leva anos já, mais do que seis, por sinal.

Só espero que esse trabalho não seja jogado fora, com um possível fim da equipé.

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Seria um sentimento de "vira-latas" ao avesso, relembrando o memorável Nélson Rodrigues?

Saudações!!!