domingo, 19 de setembro de 2010

fla x flu é fla x flu

1. o clássico que, segundo nelson rodrigues, já existia antes da criação do universo. 

2. empatar em 3x3 é muito melhor do que o insosso 0x0.
até perder de 4x3 é melhor do que 0x0.

3. gritei gol com muita força. três vezes. porque isso é tão raro nesse campeonato, que é bom aproveitar.

4. o fla cansa fácil. mesmo fazendo 3x2, imaginei que fosse tomar a virada. pela deficiência de ataque e de defesa do flu, quase marcou o quarto, assim como o tricolor.

5. foi um bom clássico. excelente? achei que não. repleto de erros, de falhas das duas equipes. mas de belos lances, como o gol de renato (fla) e o de rodriguinho (flu). 

6. parabenizando a boa fase do flu (que já foi melhor, certo, mas que pode melhorar, pelo elenco que tem), a entrevista da vez é com o tricolor-pó-de-arroz ronaldo corrêa (torcedor também do américa de joinville, grande rival do caxias em décadas passadas, time pelo qual meu avô jogou por uma década).
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Pra que time você torce? E como começou essa paixão?

R: Torço para dois times de futebol, América de Joinville e Fluminense do Rio de Janeiro. Aprendi a gostar do América desde pequeno e naturalmente esta paixão foi aumentando na medida em que ia crescendo. O mais estranho é que eu morava pertinho do Ernesto Schlemm, casa do Caxias, na outra quadra um dos vizinhos era o sempre ídolo Fontan, meia do alvinegro. Da minha turma de amigos, que dava um time de futebol, apenas eu era americano (marrento desde cedo...).
No caso do Flu também foi muito estranho. Tinha dois irmãos mais velhos que gostavam da equipe carioca. Esta “paixão” surgiu por acaso e de maneira insólita: meus irmãos assistiam a Flu x Corinthians na TV em 1973, o timão ganhou de 3 a 1 no Maracanã, com um golaço de Rivelino, e meus manos estavam chateados...Simpatizei com o tricolor das Laranjeiras e para dar uma força a eles me subverti ao ‘pó de arroz’. Aí fui saber da origem do time e como era grande sua participação na afirmação do futebol no Brasil, e resolvi que seria aquela equipe para a qual torceria...
Este período coincidiu mais ou menos com o fim de atividades do América e Caxias para a fusão que deu origem ao JEC. Esta paixão foi então derivando para o JEC, mas confesso que não se manteve no mesmo nível. Foi um namoro que durou algum tempo, mas não chegou a contagiar. Claro que por gostar de futebol, fico feliz quando o JEC vai bem, mas gosto mesmo é do América e do Fluzão.

Para você, o que é torcer para o Fluminense?

R: Vejo no Fluzão uma equipe de brios e índole, com uma personalidade e história íntegras, é algo com o que me identifico muito. Torcer para o Flu é dar vazão a alguns sentimentos que me são importantes, como idoneidade e a alegria e prazer em se fazer o que se gosta. O Flu me passa esta sensação de que se faz futebol por gostar, de maneira altruísta... Não me lembro de ter visto os tricolores se desesperarem por perda de título. Sou assim, acredito que “sempre há o dia seguinte” com novas chances de conquista.

E o que é torcer, de modo geral?

R: Nunca fui e não sou fanático por futebol. Ia aos estádios para torcer, evidentemente, mas nunca me estressei com resultados. Jogar futebol com os amigos ou torcer na TV ou nos estádios sempre foi uma terapia. Torcer para o Fluzão pra mim é algo normal, sem deixar que a paixão supere a razão, com limites e tranquilidade. Sinceramente não sei o que se ganha com tanto estresse, brigas, confusão, se isto é paixão verdadeira. Quando leio, vejo e ouço declarações de torcedores respeito esta maneira de exprimirem a “paixão” deles com seus times, mas sinceramente não entendo. Sou frio neste aspecto: não é o time para o qual torço que paga minhas contas ou garante comida na minha casa. Tenho o futebol apenas como mais uma das coisas que gosto...

Qual o jogo que não sai da sua memória?

R: Como disse não sou torcedor de guardar registros, há muitos jogos que gostei... Mas vou ficar com o primeiro que assisti, no dia 21 de outubro de 1973, em que o Timão ganhou no Maracanã por 3 a 1. Mesmo com a derrota, foi ali que tudo começou.

E uma derrota impossível de esquecer?

R: A derrota impossível de esquecer é sempre a última, novamente para o Corinthians, por 2 a 1. Mas como disse antes, esta já passou, hoje e amanhã são outros dias.

Qual a melhor equipe que você viu jogar?

R: O JEC dos seus primeiros anos com o técnico Alcino Simas e depois na década de 80, sob a presidência de Waldomiro Schützler. Time corajoso, não tinha medo de tomar gol, jogava sempre para frente.

Quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?

R: Ah, são muitos, sem dúvida, num país como o Brasil. Como talento, evidentemente o Pelé que foi fora de série... Mas como gosto do futebol alegre, vou ficar com aquele jogador que em minha opinião sempre demonstrou o que eu acredito no futebol: Fio Maravilha – Que Jorge Bem expressou e tornou imortal.

Já assistiu a jogos ao vivo nos estádios? Qual a emoção? Quer contar sobre algum que tenha sido especial?

R: Já assisti a alguns jogos ao vivo no Maracanã, Morumbi, Couto Pereira, mas sou ruim de memória. Mas tem dois que me emocionaram: o jogo amistoso de estreia do JEC contra o Vasco da Gama, no Ernesto Schlemm Sobrinho, em que estávamos na arquibancada metálica feita às pressas para que o time pudesse disputar o campeonato brasileiro... Aquele dia, quando os parafusos da metálica ainda estavam se ajustando, a arquibancada literalmente tremeu. Não esquecerei jamais a euforia da galera... O outro também no Ernestão, um domingo à tarde, o JEC recebia o temível Inter de Porto Alegre com Batista e companhia limitada pelo brasileiro... O JEC venceu bem e lembro Lico, arrancando da entrada da grande área do tricolor foi levando todo mundo e fazendo o gol mais bonito do dia, chamada no Gol do Fantástico. Naquela época os jogadores do JEC apareciam sempre nos melhores da rodada em várias posições.

Pra você, contra quem é hoje a maior rivalidade do seu time? E por quê?

R: Penso que a maior rivalidade sempre vai ser com o Fla. Mas no momento atual, em um campeonato que ainda tem muitos jogos e é muito equilibrado, o maior rival é o Timão, Inter, Botafogo, por estarem nas primeiras posições na tabela. Não acho que o time atual do Flu é o melhor do campeonato, mas não vejo equipes que se sobressaem também.

O que você costuma ler sobre esporte, sobre futebol, sobre seu time?

R: Quando tempo permite, de maneira muito rápida e pontual o noticiário diário.

Deixe uma frase de (d)efeito, aí...

R: Assim como no sexo, jogo disputado no tempo normal é bom. Mas com preliminar e prorrogação o prazer pode ser bem melhor.

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ítalo.

Um comentário:

Cleber Soares disse...

E ai Italo, belo texto, assim como o FLA-FLU. Mas ainda assim achei que fou fraco técnicamente, muitas falhas, das quais sairam pelo menos 3 gols... mas sempre é bom vr um FLA-FLU assim. Ah!! a entresvista tbm é foi exelente.

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