sexta-feira, 27 de agosto de 2010

o futebol é preconceituoso


o futebol ensina a ser preconceituoso. basta fuçar rapidamente por blogs sobre futebol que fácil fácil é possível encontrar imagens e frases e tiras e piadas preconceituosas sobre times e jogadores e torcedores. E, ainda, acompanhando tudo isso, risadas do tipo “Quááááááááá´”, ou “HAHAHAHAHA”. isso quando não há comentário super inteligentes do tipo: “time de viados”, ou “todo torcedor de tal time é preto e é ladrão”. as imagens que ilustram esta postagem são exemplos disso. todas elas retiradas de blogs de futebol, postadas sob a alegação de que o futebol precisa ser tratado com bom humor, com alegria. e depois, ainda, quem comenta que acha esse tipo de brincadeira muito séria e ridícula e sem fundamento algum, é xingado. coisa óbvia, não? quem brinca dessa forma, só pode mesmo reagir de uma forma grosseira. e as duas formas de preconceito mais recorrentes dizem respeito à cor de pele e à preferência sexual das pessoas. se é viado ou gay, é porque torce pra tal time. se é preto e pobre, é porque é ladrão e, consequentemente, torce pra tal time, o que deixa claro que no futebol não é algo que homossexuais possam ou devam acompanhar. que para torcer para qualquer time você precisa ser, antes de tudo, machão para ridicularizar todos os outros times e torcedores. senão você é apenas mais uma bichona que se interessa por um bando de homens, e não pelo futebol.


são montagens terrivelmente mal feitas. que nada tem de alegria ou de humor. e sim de maldade. e há quem considere isto sensacional no futebol. há quem se refira ao rival como "gaymio", "flamerda" ou "florminense". e ache tudo isso ainda mais genial. e propague isso estufando o peito, porque se não é para xingar, de que serve torcer, não é mesmo? é a rivalidade saindo do que apresenta de saudável. afinal, o que seria de um time grande sem um grande rival? nada, absolutamente nada. tirar sarro pelas conquistas de um time, ou pelos insucessos do rival, é muito diferente de agredir visual e verbalmente se utilizando de preconceitos sociais pra lá de graves e burros.

há uma clara confusão entre alegria e escárnio. entre rivalidade e ódio. entre brincar e ser grosseiro. palavras e significados muito claros, mas que brotam enorme confusão para muitos. e que mancham cada vez mais o esporte e sua credibilidade.

ítalo. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

precisa

é precisa esta imagem.


é precisa esta homenagem-provocação.



é disto que o futebol precisa.


ítalo.

mais uma vitória bonita


há uns meses, eu fiz um post aqui dizendo o quanto fora bonita a vitória do inter sobre o emelec, na estreia daquele que viria a ser o campeão da liberatadores 2010, no beira-rio. e agora eu volto a escrever sobre uma vitória bonita. mas não a que deu o bi ao inter. e sim a que classificou o palmeiras para a próxima fase da sulamericana.

acho que tenho tendência a gostar de vitórias com gols no final do jogo. são mais emocionantes, sem dúvida. e em confrontos assim como um palmeiras x vitória eu não torço para ninguém. torço para um jogo bom e que valha à pena assistir. foi o que aconteceu hoje no pacaembu. mas muito por conta do palmeiras, porque o vitória veio como time pequeno que é, recuado e disposto a segurar o jogo. só. tomou o golpe aos 44 minutos do segundo tempo, numa cobrança de falta ma-gis-tral do marcos assunção. abrindo parênteses: eu sempre gostei desse cara batendo falta. lembro dele há uns dez anos jogando pelo flamengo e fazendo gols de falta. uma precisão incrível. e o chute dele é forte, além de tudo. fechando parênteses.

a vitória do palmeiras por 3x0 - placar que lhe classificava diretamente, sem necessidade de penais - foi ainda mais bonita por outros fatores, não necessariamente nesta ordem. primeiro, a competência que tem esse sujeito chamado luiz felipe scolari para jogos mata-mata. dos 37 que ele disputou, venceu 30. isso é mais do que incrível! e pelo momento que ele vinha atravessando no clube, nessa volta, e pelo time limitado que ele mandou a campo, a vitória foi espetacular. em segundo lugar, foi uma belíssima vitória para coroar os 500 jogos de marcos, o são marcos, com a camisa do porco. gente, 500 jogos com a camisa de um time, pros dias de hoje, é uma marca tão importante quanto as vitórias de felipão em mata-mata. e, em terceiro lugar, uma puta vitória pela festa que a torcida alviverde fez o tempo todo. estádio praticamente lotado e uma torcida que não parou de cantar um instante sequer. uma festa lindíssima! premiada com o golaço de falta. 


ao final do jogo, eu já tava torcendo pelo alviverde mesmo, para que a festa ficasse completa.

ítalo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

a américa vermelha. de novo.


prestando minha homenagem aos colorados-merecidamente-bicampeões-da-américa,
entrevista com Caetano Lorenzetti, deste blog. que esteve novamente na final da liberta,
no beira-rio.
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Pra que time você torce? E como começou essa paixão?

R: Meu clube é o Sport Club Internacional, e, como em grande parte dos torcedores, essa paixão foi herdada de pai para filho. Hoje, eu e ele assistimos e torcemos juntos em praticamente todos os jogos do colorado.

O que é torcer para o Internacional?

R: Pra mim, Internacional significa a união de todos os sentimentos que eu possa sentir. A intensidade de torcer para esse clube só pode ser sentida pra quem tem orgulho de ter o sangue colorado correndo nas veias.

E o que é torcer?

R: Torcer é não abandonar suas cores em hipótese alguma, honrar sua camisa seja em momentos trágicos ou de glória e ter orgulho de representar sua 'religião', a qual você é devoto eternamente.

Qual o jogo que não sai da sua memória?

R: Sem sombras de dúvidas a final da Libertadores 2006, quando o Inter se sagrou campeão da América derrotando o atual campeão do mundo da época, o São Paulo.

E uma derrota impossível de esquecer?

R: Felizmente, a derrota mais inesquecível acabou sendo benéfica, e aconteceu nas semifinais da libertadores deste ano, contra o São Paulo no Morumbi. Não tenho dúvidas que foi o jogo mais emocionante e nervoso que já assisti desde que acompanho o Inter.

Qual a melhor equipe que você viu jogar? (Aqui não diz respeito somente ao seu time. Podes citar qualquer equipe que tenhas acompanhado).

R: Em conteúdo de história futebolística, sou um mero iniciante, pois acompanho o futebol de perto há uns 6 anos. Coloco os galáticos do Real Madrid, com Beckham, Zidane e Ronaldo e o Barcelona 2005/2006 como os dois melhores times que vi jogar.

Quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?

R: É difícil escolher um ou dois, porém sou um grande fã de jogadores de finalização e por isso tenho duas grandes referências: Ronaldo e Romário. Foram fantásticos em arrancadas e finalizações. Mas nunca esquecerei de jogadores como Zidane e Ronadinho.

Já assistiu a jogos ao vivo nos estádios? Qual a emoção? Quer contar sobre eles?

R: Já assisti alguns sim. Acho espetacular a chance de estar perto dos jogadores e passar apoio para eles, é uma sensação deliciosa para amantes do futebol.
A maioria dos jogos que vi foi aqui no meu estado, no Paraná, porém com absoluta certeza o jogo mais intenso foi na final em 2006. Tinha 10 anos de idade, viajei 12 horas em uma excursão acompanhado de meu pai. Quando cheguei lá, o relógio marcava 18:00, o encarregado de trazer os ingressos não apareceu e tivemos que comprar ingressos de cambistas minutos antes de começar a final. Foi angustiante e caro, mas valeu a pena.

Pra você, contra quem é hoje a maior rivalidade do seu time? E por quê?

R: Particularmente, considero o clássico Gre-Nal a maior rivalidade do país, e isso faz do Grêmio um rival eterno do Inter. Porém, com a evolução do Inter a partir da presença de Fernando Carvalho, o São Paulo cruzou várias vezes o caminho do colorado em grandes competições, e criou-se aí, uma rivalidade interessante.

O que você costuma ler sobre esporte, sobre futebol, sobre seu time?

R: O futebol, assim como o Inter, é uma grande paixão. Desde pequeno, com uns 9 anos, acompanho debates esportivos, programas de esporte, sites com boas informações e blogs de comentaristas que me agradam.
Gosto muito de ler notícias e curiosidades sobre o mundo do esporte em geral.

Deixe uma frase de (d)efeito, aí...

R: "Mas isso também pode ser um sonho, e se for, não me acorde" - Luiz Fernando Veríssimo. Crônica 'Não Me Acorde.'
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ítalo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

critérios. ou bagunça mesmo.

pra não ser chato e repetir que o futebol não deve ser levado a ...
ops, eu disse que não iria repetir. 
ok.

vou contar só uma historinha, então:

no campeonato brasileiro do ano passado, o goiás terminou em nono lugar. não foi para a libertadores. este ano, então, teve/terá três chances de buscar a libertadores para o ano que vem: copa do brasil (eliminado pelo vitória nas oitavas), brasileirão (onde podem se classificar quatro, três ou dois, dependendo de outros campeonatos e resultados) e sulamericana  (eliminou o grêmio na primeira fase). por outro lado, o são paulo foi terceiro colocado no campeonato brasileiro do ano passado. classificou-se, com isso, para a libertadores deste ano. este ano, então, teve/terá somente dois caminhos para buscar a libertadores do ano que vem: libertadores (eliminado pelo inter nas semis) e brasileirão (onde podem se classificar quatro, três ou dois, dependendo de outros campeonatos e resultados). qual a lógica disso?

ã?

dessa forma, é preferível ter seu time em nono este ano, para disputar três campeonatos com chances de chegar à liberta do ano seguinte, do que vê-lo em terceiro lugar podendo disputar somente dois campeonatos - ultra dificílimos - para a mesma liberta.

e depois tem gente que quer mesmo levar o futebol a sério, ôxe.


parabéns, cartolagem!
parabéns!

ítalo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

seguindo a lógica...

... de que o futebol não pode e não deve ser levado a sério,


com vocês,


o futebol dos filósofos.


(segurem-se na cadeira. porque é um jogo e-mo-cio-nan-te)


ítalo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

não é II

o futebol não é coisa séria, ok?

não é II

não era, por isto.

não é, agora, por istos:

1. ignoram-se conquistas nacionais apenas por mudanças de nomes.
ignoram-se campeonatos que precederam o dito "campeonato brasileiro".
ignoram-se as histórias dos clubes. as suas conquistas.
a contagem mais correta de títulos nacionais seria esta.

2. um clube ganha o campeonato da primeira divisão,
e quem fica com o título é um clube que ganhou a segunda divisão
(campeonato brasileiro de 1987)

3. dois clubes sobem da série c para a série a sem disputarem a série b
(copa joão havelange, 2000)

4. um clube ganha um título de campeão brasileiro
graças a compras de resultados. e nada acontece
(campeonato brasileiro de 2005).

5. um clube é finalista de um torneio que leva a outro torneio,
mas, mesmo que vença este torneio, não poderá jogar o outro,
pelo simples fato de ser convidado (taça libertadores 2010).

e depois ainda tem gente que tenta levar o futebol a sério.

ítalo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A ignorância no outro lado da moeda

Geralmente quem acompanha e ama o futebol é taxado como ignorante, sem capacidade de ter prazer com outras coisas chamadas 'produtivas' ao invés de assistir a um “bando de homens correndo atrás de uma bola”. Mas talvez a ignorância esteja no outro lado da moeda neste caso.
Como qualquer outro esporte, o futebol pode ser fator de cultura e de educação. Porém, pela sua popularidade em níveis mundiais, ele se torna muito mais do que isso. É também um grande fator de interação e integração social sendo que várias crianças no mundo inteiro salvam-se da violência justamente por praticar esse esporte, que os ensina disciplina e coletividade. Além disso, um evento da grandiosidade de uma Copa do Mundo, por exemplo, dá emprego a vários cidadãos, movimenta a economia de um país – ou até de um continente –, e deixa legados importantíssimos, como no transporte, no turismo, na infra-estrutura e em termos de visibilidade.
Feliz ou infelizmente, esse esporte está presente na vida de todos, absolutamente todos. Perceba que em seu twitter, a metade dos TT's são relacionados a futebol, ligue a TV e assista à notícia de um título conquistado por um clube, saia de casa e observe quantas pessoas estão vestidas com seus “mantos sagrados”, pare de ler este texto e olhe para o sofá, e aí poderá ver seu pai/vô/marido/sobrinho/tio/filho completamente emocionado assistindo a uma partida de futebol, e sabe por quê? Porque ele ou ela ama ver um bando de homens correndo atrás de uma bola.
Flávio Moreira da Costa, jornalista, tradutor e escritor de livros literários, organizou um livro só com textos literários sobre o futebol. Vinte e dois autores e vinte e dois textos sobre futebol. Vinte e duas ficções sobre este esporte que é, segundo o próprio autor, no “Jogo preliminar” de seu livro (leia-se: introdução): “Dança, fenômeno; campo de grama e campo de violência; bolsa de valores em que jogadores funcionam como mercadoria; profissão e arte como possibilidades de ascensão social; ‘celeiro’ de craques e de ex-craques, vedetes de ontem e esquecidos de hoje; exemplos, ídolos e decepções para toda uma comunidade – no estranho mundo do futebol de tudo um pouco há” (no livro “22 contistas em campo”, editora Ediouro, 2006, p. 9).
O futebol está presente na literatura, assim como na música, por exemplo. Quem não é conhecedor da célebre “Uma partida de futebol”, cantada pelo Skank (link). E quem também não lembra de Chico Buarque cantando “Aqui na Terra estão jogando futebol” (link) e também “Para Mané para Didi para Mané; Mané para Didi para Mané para; Didi para; Pagão para Pelé e Canhoteiro” (link)? E voltando à literatura podemos chegar à Macunaíma, a mais conhecida obra de Mário de Andrade, que mostra como o futebol foi inventado pelos índios, antes de Cabral ainda. É ficção, claro, mas nada absurdo, não é mesmo?
O futebol é elemento tão cultural que permite justamente isto. Ser recriado. Ser musicalizado e ficcionalizado. O futebol merece ser discutido em sala de aula, merece ser discutido no almoço da família, merece ser discutido na fila do banco. Merece ser discutido, conversado, roteirizado. Merece discordância, sim, claro que sim. Afinal, além de toda unanimidade ser burra (não podemos fechar um texto envolvendo futebol, cultura e literatura sem citar Nelson Rodrigues), que graça teria se todos torcêssemos para o mesmo time, ou se considerássemos bom jogador só o camisa dez? O futebol pede diversidade. E, com isso, pede respeito, muito respeito. Respeito à cultura, à história, à tradição do outro. O futebol pode ensinar educação para as pessoas. Só não vê quem não quer. Só não vê quem prefere se esconder atrás de clichês e de homens correndo atrás de uma bola.

Ítalo Puccini
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caetano é guri novo. catorze anos. respira futebol vinte e quatro horas por dia. mora em pato branco, pr. em conversas via msn, contou a mim o quanto não encontra espaço para falar de futebol com seus professores, na escola em que estuda. contei a ele o quanto abro espaço com meus alunos para falar de futebol. chegamos a essa ideia comum, de que o futebol é, sim, elemento cultural importantíssimo para um povo. brotamos este escrito. e eu falei a ele: imprima várias cópias e sorrateiramente as distribua na sala dos professores de tua escola :))