domingo, 20 de junho de 2010

vuvuzelas no vizinho. ou a vida como uma ficção.

eu já não gosto de copa do mundo. agora, uma copa do mundo com fundo musical tão horrível quanto esse monte de cornetas que mais parece um enxame? aí é demais mesmo. e, pra ficar pior - afinal, tudo que está ruim, pode piorar - o que não falta agora nesses dias de copa são "clones" dessas cornetas. vuvuzelas clones. que não mais fazem barulho apenas na televisão, e sim estão em qualquer "lar patriota". obviamente que cá em casa elas não aportam. nem perto chegam. mas hoje, mais do que nunca, eu desejava tê-las. não uma só. mas muitas, muitas delas. várias. para infernizar a vida do meu vizinho. que eu sei que gosta menos do que eu de copa do mundo e de barulho de corneta. mas é porque ele é chato pra caramba. é ranzinza, é grosso, é tão chato que às 22h30min ele tá ameaçando chamar a polícia quando fazemos algum encontro de gente aqui em casa. e hoje eu pensei, um domingo, dia de descanso, chuvoso, nada melhor do que fazer barulho, né não? nada melhor seria do que infernizá-lo intensamente. e ainda colocar a culpa na seleção brasileira, caso ele viesse a reclamar. nem falaria do horário, não. que de dia faço o barulho que quiser em minha casa. eu mentiria, ainda por cima. diria que é uma emoção muito grande assistir a um brasil x costa do marfim em uma copa do mundo em um domingo chuvoso e frio de quase-inverno. eu diria mesmo. e eu escrevo tudo isso sem medo. porque eu sei que o meu vizinho não lê meus blogs. aliás, não sei nem se ele lê algo. ele até se revolta quando o carteiro erra minha casa e deixa um monte de livros na casa dele. ele corre trazê-los aqui em casa. jogá-los aqui em casa. parece que queimam na mão dele. então eu escrevo sem medo. eu sei que ele não vai ler nunca isto. e até coloco este escrito nos meus dois blogs. sei lá, para dar maior chance a ele. para tornar tudo mais emocionante, quem sabe. porque, mesmo que por ventura ele leia - sabe-se lá, né, até contra a coréia do norte a seleção passou sufoco, então, tudo pode acontecer nessa vida - bom, aí eu recorro à literatura, numa tranquila. digo a ele que este é um texto literário. uma ficçãozinha. no diminutivo mesmo. deixando clara minha falta de habilidade com a palavra escrita e com o texto literário. e que tudo isso daqui não passa de um conto. em primeira pessoa. pronto. não é o ítalo escrevendo. é um personagem inominado. que, por meio do texto literário, diz o que quer e faz o que quer. afinal, quem foi que disse que os personagens literários não ganham vida, hein?! ah, taí, eu daria de presente para ele o filme "coração de tinta". aí, pronto. ele entenderia ótimamente. e tudo ficaria numa boa. quem sabe até ele deixasse de chamar a polícia. poderia passar a me ver como um personagem. seria só fechar o livro e me esquecer. seria.

7 comentários:

Aninha Kita disse...

Genial, Ítalo!
Adorei, adorei, adorei!

Conto cheio de linguagem metalinguística. :D

Beijo!
Ana (também aqui, embora mais lá)

Eduardo Silveira disse...

hahaha, curti o desabafo.

1º me irrito tbém com essas vuvuzelas paraguais, especialmente porque o som é horrendo, isso quando sai um som.

2º vc é muito malvado com a seleção! tbém acho copa menos acirrada (muito menos) que um brasileirão, por exemplo. e há motivos pra isso. Mas eu gosto de assistir, e tenho achado bom, simplesmente bom, até agora, o desempenho do Brasil.

3º vizinho fiadapu! o meu é melhor, é caladão e me entrega os livros. e volta e meia vejo ele no teatro, então suponho que ele tenha um cora-cérebro.

4ºmuito bom o toque literário pra cá, abraço! ^^

Roberta Ávila disse...

conheço essa história de chamar de ficção para fugir da responsabilidade... às vezes nem sei se ficção existe. rs

bjos

Moni. disse...

Caraca!!!

Era pra ser um desabafo, um grito de raiva...
Mas virou um conto fantástico, impressionante!
Putz! E daqueles que dá pra encenar, cheio de sátira...
Viajei na cena do carteiro tocando a campainha, entregando o pacote de livros e este a queimar suas mãos...haha

Bárbaro. Íta!
Genialidade transbordando por aí...

Beijoca!

G. F. Busnardo (Gui) disse...

kkk - Ítalo!
Muito bom mesmo cara!
me diverti pracaramba lendo esse texto! Show!

Vizinho chato é problema que eu ainda não tenho. Os meus vizinhos são bem compreensíveis (acredito eu), já que até agora nunca reclamaram do som alto (bem alto).

Agora, falando em som, sinceramente, as tais vuvuzelas não me encomodam nem um pouco. Nem durante os jogos nem quando as ouço em algum lugar. acho que elas até dão um clima legal pro jogo.

Abrss

Wilson Torres Nanini disse...

Maravilhoso! Deu-me uma nova perspectiva, dentro de tudo o que se tem dito do irritante "fundo musical" da copa do mundo. Adiciono à questão meu drama particular, pois nessa época eu trabalho demais, enquanto muitos se servem do ópio do povo (adulterado, diga-se!).

UM dos seus melhores!

Abraços!

Í.ta** disse...

roberta, eu às vezes nem sei se a realidade existe, rs.