domingo, 27 de junho de 2010

10 mandamentos e 5 mitos do futebol

X mandamentos do futebol

I) Futebol não é religião. É mais do que isso. Há quem diga que futebol é só um jogo. Isso equivale a afirmar que literatura é um monte de palavras jogadas. Para começar, os fanáticos por futebol têm seus cerimoniais sagrados de quarta e domingo. E, claro, a troca de galhofas com os torcedores de outros times. Não se esqueçam do dízimo que todo boleiro deve doar à sua instituição sagrada através de ingressos caros em troca de serviços porcos, camisas cheias de patrocínio, chapéus ridículos, merchandising tosco etc. A fé é o item número zero para o torcedor ― sem ela não há futebol. É preciso acreditar, piamente, até o último segundo de jogo, que seu time vai reverter um 0 a 5. E o que faz o futebol transcender religiões é que uma torcida agrega sem preconceitos todos os tipos de crenças, classes sociais, gêneros, bandidos e neuróticos. Por aí você começa a ter uma noção da importância da coisa.

II) Xingamento é a prece do futebol. Alguns ignorantes no assunto acham um absurdo o uso à vontade de palavras de baixo calão durante os jogos. Mas elas nunca são gratuitas. Fazem parte de um ritual importante e dedicado que envolve gritos de guerra, urros, cuspes, coçadas no saco e no nariz, a conexão com a natureza ao se urinar em árvores e outros comportamentos que geram uma vibração única para a celebração do ludopédio. Além disso, o que se faz no estádio, fica no estádio.

III) Chore. Esses mesmos "alguns" se perguntam: "como pode alguém chorar por futebol?". Em primeiro lugar, são poucos que realmente choram só por futebol. Em geral, há outros fatores externos para que isso aconteça e uma derrota no futebol simboliza o fracasso, a decepção maior. Mas se você é idiota o suficiente de achar uma bobagem chorar por futebol é porque não entende nada do riscado. Afinal, choramos, de alegria ou de tristeza, nos momentos mais marcantes de nossas vidas. Como em diversos jogos de futebol, por exemplo.

IV) Estude o tema. Leia livros, revistas, sites e blogs; memorize gols, datas, escalações e fatos marcantes. Sempre esteja pronto para descrever jogadas ou resgatar um causo de 1954. E nunca, mas nunca, mesmo, se esqueça de fazer diversas análises de variações táticas de times e seleções numa rodinha daquela festa chata. É uma boa oportunidade de afastar os babacas e ficar com os realmente inteligentes.

V) Horário de jogo é sagrado. E o embate deve ser assistido só, sem perturbações. A única exceção é se sua mulher/namorada aparecer pelada. Nesse caso, e apenas e tão somente nesse caso, vá para cima, ganhe de goleada e aceite com raça e 110% de comprometimento tanto a prorrogação quanto os pênaltis. Afinal, os canais a cabo sempre reprisam os jogos. Mas para o bem da humanidade e pela satisfação dos deuses da bola, entre num acordo com sua estimada senhora: jogos decisivos são realmente sagrados, sem apelação. Se ela não concordar, desfile na frente da TV, no final da novela que ela adora, vestindo apenas com uma sunga de seu time do coração e um lenço no pescoço. Ela vai entender o recado. Por outro lado, não perca jogos por causa de eventos sociais. Nunca vale a pena. Até a Drew Barrymore numa comédia romântica imbecil se deu conta disso.

VI) Futebol é para ogros. E não sinta vergonha disso. Ou você vai entrar na onda daquele cara que acha produtos Apple obras de arte e o Steve Jobs lindo? Ou se intimidar pelo olhar de nojinho daquele "amigo" da namorada que declama poemas de autores "malditos"? Do cara que ri da tua cara quando você fala que é fanático por futebol, mas não perde o BBB? Esqueça os inteleco-tecos, os hipócritas, os metrossexuais, os enrustidos e os "modernos" em geral. No fundo, somos todos ogros. Animais, afinal. Assuma isso sem problemas. Mas sem classe, hein, p****.

VII) Tenha mais camisas de times do que roupas "normais". Normais para os outros. Para os fanáticos, o normal é camisa de time. Em qualquer ocasião. Mas é sempre importante ter trajes diferentes para cada momento. Não vá num jantar de aniversário de casamento dos sogros com aquela camisa surrada de 1990 com patrocínio da Kalunga. Uma edição especial comemorativa é a melhor opção. E, por favor, em época de Copa do Mundo não entre no oba-oba: não use trajes da seleção, apenas de seu clube de coração.

VIII) Futebol é politicamente incorreto. Porque você ainda vai rir de uma piada preconceituosa num estádio.

IX) Futebol é machista. É um prolongamento do mandamento anterior, mas é um item tão importante que vale destacar. Se você vai levar sua filha a um jogo prepare-se para ouvir vários "Aê, sogrãããão!!". Quer levar a namorada? Engula seco quando disserem "Fala, sócio!". Não me levem a mal, mulheres. Adoramos vocês e queremos que vocês frequentem estádios. É seguro. Mas nem se vocês forem vestidas com trajes GGG desbotados vão escapar de ouvir assovios, aquele barulho de "chupada", além de grandes pérolas populares contemporâneas como "ê, lá em casa", "diliça", "ah, se eu fosse homem" e afins. E se vocês ouvirem a torcida inteira gritando "Gostosa!Gostosa!Gostosa!" é para se sentir lisonjeadas, não envergonhadas. Afinal, vocês são realmente gostosas. Para o nível de um estádio, esses gritos equivalem à melhor cantada que vocês já levaram.

X) Futebol é coisa séria. (mandamento auto-explicativo)

V Mitos da bola

Algumas coisas são tão faladas sobre futebol que se tornam "verdades". Mas são mitos quando comparados à realidade. Vamos a alguns deles.

I) Futebol é o ópio do povo. Você já viu o comportamento de um torcedor de futebol? Já viu alguém chapado de ópio? O raciocínio não fecha. Nelson Rodrigues deve ter criado essa frase depois de uma derrota do Fluminense, ao sentir o ébrio da tristeza. É como dizer que uma câmera de TV é a ritalina da Narcisa Tamborindeguy.

II) Brasileiro é fanático por futebol. Só alguns são. Como disse um ex-professor meu, brasileiro é fanático por festa e aproveita o embalo da Copa do Mundo e jogos em geral para fazer várias. Olhe o comportamento abobalhado dos brasileiros na Copa: nas ruas, nos bares ou nas casas. E depois veja um jogo Boca Juniors x River Plate ou Fenerbahce x Galatasaray e entenda o que de fato são fanáticos por futebol.

III) Futebol aliena. Estou à sua disposição para discutir isso depois que você terminar de assistir as três novelas, o jornal, o BBB, O Aprendiz e de passar três horas diárias na internet entre Orkut, MSN e Facebook. (Mas não pode ser em horário de jogo).

IV) O futebol destrói relações de casais. Mentira. Falta de verdade. Calúnia. Patuscada. Futebol não destrói porcaria nenhuma. Uma relação ou já nasce problemática ou desenvolve neuras por incompatibilidades sexuais, emocionais, virtuais e até musicais. Mas nunca pelo mundo da bola. Se seu marido/namorado/amante/quebra-galho te deixa de lado e prefere assistir à todas mesas redondas, ou ele gosta e é um imbecil, ou ele usa esse artifício para te evitar. Nos dois casos a solução é um belo voleio na bunda do canalha. Porque ninguém em sã consciência ou com o mínimo de inteligência realmente gosta da boçalidade que essa gente fala nesses programas entre um merchandising e outro. Em caso de dúvidas, deliciosa amiga, releia com atenção o mandamento V se seu namorado broxa nega fogo.

V) Futebol cria rivalidades. Só em alguns momentos, para alguns animais. Para o resto é um agregador, o melhor assunto de small talk do Brasil, que pode variar do tom solene ao burlesco. Pausa pro café? Papo de futebol. Quebrar o gelo com o sogrão? Futebol. Não sabe o que falar para o namorado da amiga da namorada que só fala sobre social media? Mais futebol. Tá por fora da conversa sobre a novela? Puxe o futebol. Deu de frente com um cara que odeia futebol? Comece a falar do lado ruim do futebol (ok, eu sei que isso não existe, então invente). Claro que sempre vai ter um metidinho que vai virar a cara. Não se preocupe, ele gosta de algo realmente patético, como White Stripes, por exemplo.

retirado daqui.

domingo, 20 de junho de 2010

vuvuzelas no vizinho. ou a vida como uma ficção.

eu já não gosto de copa do mundo. agora, uma copa do mundo com fundo musical tão horrível quanto esse monte de cornetas que mais parece um enxame? aí é demais mesmo. e, pra ficar pior - afinal, tudo que está ruim, pode piorar - o que não falta agora nesses dias de copa são "clones" dessas cornetas. vuvuzelas clones. que não mais fazem barulho apenas na televisão, e sim estão em qualquer "lar patriota". obviamente que cá em casa elas não aportam. nem perto chegam. mas hoje, mais do que nunca, eu desejava tê-las. não uma só. mas muitas, muitas delas. várias. para infernizar a vida do meu vizinho. que eu sei que gosta menos do que eu de copa do mundo e de barulho de corneta. mas é porque ele é chato pra caramba. é ranzinza, é grosso, é tão chato que às 22h30min ele tá ameaçando chamar a polícia quando fazemos algum encontro de gente aqui em casa. e hoje eu pensei, um domingo, dia de descanso, chuvoso, nada melhor do que fazer barulho, né não? nada melhor seria do que infernizá-lo intensamente. e ainda colocar a culpa na seleção brasileira, caso ele viesse a reclamar. nem falaria do horário, não. que de dia faço o barulho que quiser em minha casa. eu mentiria, ainda por cima. diria que é uma emoção muito grande assistir a um brasil x costa do marfim em uma copa do mundo em um domingo chuvoso e frio de quase-inverno. eu diria mesmo. e eu escrevo tudo isso sem medo. porque eu sei que o meu vizinho não lê meus blogs. aliás, não sei nem se ele lê algo. ele até se revolta quando o carteiro erra minha casa e deixa um monte de livros na casa dele. ele corre trazê-los aqui em casa. jogá-los aqui em casa. parece que queimam na mão dele. então eu escrevo sem medo. eu sei que ele não vai ler nunca isto. e até coloco este escrito nos meus dois blogs. sei lá, para dar maior chance a ele. para tornar tudo mais emocionante, quem sabe. porque, mesmo que por ventura ele leia - sabe-se lá, né, até contra a coréia do norte a seleção passou sufoco, então, tudo pode acontecer nessa vida - bom, aí eu recorro à literatura, numa tranquila. digo a ele que este é um texto literário. uma ficçãozinha. no diminutivo mesmo. deixando clara minha falta de habilidade com a palavra escrita e com o texto literário. e que tudo isso daqui não passa de um conto. em primeira pessoa. pronto. não é o ítalo escrevendo. é um personagem inominado. que, por meio do texto literário, diz o que quer e faz o que quer. afinal, quem foi que disse que os personagens literários não ganham vida, hein?! ah, taí, eu daria de presente para ele o filme "coração de tinta". aí, pronto. ele entenderia ótimamente. e tudo ficaria numa boa. quem sabe até ele deixasse de chamar a polícia. poderia passar a me ver como um personagem. seria só fechar o livro e me esquecer. seria.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

poemizando

perguntam-me:
o que está achando da copa?
não vai escrever nada sobre?

respondo:
vou.
claro que vou.

:
a copa despertou em mim um sentimento
há pouco esquecido:

saudades do brasileirão.

domingo, 6 de junho de 2010

futebol de botão em câmera lenta

qual é o torcedor que nunca jogou futebol de botão em sua infância? e durante a adolescência? e depois de adulto?

pois eu sou viciado nisso. não jogo futebol, nem de campo, nem de quadra, mas jogo futebol de botão. com menos frequência do que gostaria. mas é amor mesmo, e amor a gente não deixa pra trás, não.

inclusive já escrevi aqui sobre isso.

e hoje assisti, cá na internet, a matéria belíssima do esporte espetacular sobre a magia que emana dessa prática pra lá de gostosa. acompanhem ali no vídeo. é bonito mesmo, mesmo, viram?!

e fica o convite a descreverem, ali nos "chutes", caros blogueiros-leitores, suas experiências com o futebol de botão. sintam-se todos convidados!


ítalo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

opinião

fuçando do jeito que fuço em blogs por aí, vezemquando é possível achar coisa boa, sim, muito boa. sendo de futebol, é mais raro, tamanha a passionalidade - consequentemente, a burrice e a falta de respeito - que toma conta dos torcedores-escritores-blogueiros. então, quando a gente acha coisa boa, realmente boa e sensata e educada, a gente tem que divulgar, sabem, para que outro mais tantos leitores-blogueiros possam encontrar alento nesse mundo solto virtual.
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"LOS HERMANOS

A imprensa mundial é mesmo imprevisível. Após Lionel Messi declarar que "jogador por jogador, não tem seleção melhor que a nossa", choveram críticas ao astro argentino. De falta de humildade ao salto alto, inclusive reprovações vindas do Brasil.

Então deixa eu ver se entendi: queriam que Messi dissimulasse, desconversasse e transferisse seu otimismo, sua confiança e - mais que tudo isso - a sua opinião? Para que? Para, no dia seguinte, publicarem que Lionel Messi fugiu da raia, transferiru a responsabilidade para outras seleções ou simplesmente foi "político" em suas afirmações?

Já está na hora de pararmos com essa bobagem. Opinião é como mãe, cada um tem a sua! Enjoa esta tática da imprensa de fazer notícia em cima de qualquer declaração. A globalização elegeu a notícia pela notícia como titular, levando para o banco de reservas a notícia pela informação. E, pelo andar da carruagem, para nunca mais sair de lá.

Se a Argentina vai ganhar o mundial é outro papo, mas, convenhamos, Messi está coberto de razão! Ou alguém enumera em alguma outra seleção individualidades tão valiosas quanto Tevez, Higuaín, Milito, Aguero, Di Maria e o próprio Messi?"

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ítalo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

o que você prefere?

ver seu time jogando o fino da bola
e, inda'ssim, não conquistando um bom resultado.

ou ver seu time jogando nada vezes nada,
e inda'ssim ganhando o jogo?

tinha uma propaganda, acho que de banco,
que cantava assim "o que faz você feliz?".

e aí, torcedor,
o que faz você feliz nessas duas situações?

ítalo.

terça-feira, 1 de junho de 2010