domingo, 30 de maio de 2010

a tal da identidade nacional e a copa do mundo

o an ideias de hoje foi especial sobre a proximidade da copa do mundo e sobre o quanto este evento mundial, que ocorre somente de quatro em quatro anos, envolve multidões, faz quase parar o mundo todo. como é possível, pois sim, o futebol fazer isso? é engraçado e contraditório pensar na quantidade de torcedores que surgem - ou ressurgem - durante um mês. ou não é contraditório quem não consiga assisitir a uma partida de futebol sequer, mas acompanhae os jogos da copa do mundo, principalmente os da sua seleção.
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e é aí que entra outro detalhe. este "sua" seleção. há uma atitude condicionada a torcer pela seleção de seu país, principalmente a futebolística, uma vez que o é esporte de maior apelo popular. desde pequeno somos encaminhados para isto. para, durante trinta dias - e daí pouca importam as vestimentas do período sem copa - vestir verde e amarelo, e torcer efusivamente por um grupo de jogadores que pouco, ou quase nunca, assistimos. e assim vamos levando, ou sendo levados. afinal de contas, dizem-nos, precisamos ser patriotas, torcer por aquilo que é nosso. só me pergunto o que é este "nosso".
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quando mais novo, sim, eu torcia, e muito, pela seleção. chorei a derrota em 98, pra frança. ingênuo que era. não entendi como pôde o ronaldo não ter jogado, e sim o edmundo. vibrei por demais o título da copa de 2002. saí às ruas comemorando e tudo. e foi só. e não deu mais. e essa coisa da identidade nacional descrita pelo fernando gonçalves bitencourt - autor dos textos do an ideias - saiu de mim, e para bem longe. segundo o autor, "A seleção é a representação de nossas representações sobre nós mesmos". não comigo.
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minha contradição é outra. é ao avesso. respiro futebol quase todo dia. se me deixarem, assisto a jogos da segunda divisão do campeonato paulista. assisto em intensidade máxima qualquer jogo do flamengo. acompanho tudo que é notícia futebolística. mas não consigo torcer pela seleção brasileira mais, não. não sinto nada em torcer de quatro em quatro anos, não. é broxante. torcer é viver um time, uma paixão, algo que não se explica, que toma conta dos nossos sentidos, que não se explica. é algo diário, e não quatri-anual.
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mas eu gosto de acompanhar a copa do mundo. os jogos. não gosto do ufanismo que toma conta do mundo. gosto de assistir aos jogos porque é quando assisto numa boa, sem torcer, sem vibrar. é quando me divirto. é quando não tenho time, não faço torcida. é quando posso olhar também para os torcedores, para aqueles que, daí, sim, vivem o futebol em sua intensidade ilógica, nem que seja por noventa minutos, de quatro em quatro anos - às vezes mais.
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ítalo.

Um comentário:

Moni. disse...

Eu compartilho de várias coisas aqui. Algumas outras, não sei, me confundem.

Patriotismo é um negócio meio difícil quando olho para aquela foto da escalação e vejo Barcelona, Inter, Lyon, Milan, Roma, Real Madrid, um verdadeiro painel globalizado de um povo que não vive aqui, não faz parte do dia-a-dia de quem torce aqui, que joga futebol de clube, que é estrela pra europeu ver, enfim...

Por outro lado, é a única vez que o hino me arrepia. Não canto nem boto a mão no peito, mas aquele arranjo forte enquanto a câmera fecha o close no rosto de cada um deles, alvo dos nossos confetes ou dos nossos xingamentos durante os próximos 90 minutos...Ah, rola um arrepio sim...

Sinto medo também. Não sei até que ponto a política e o dinheiro não transformem cada um de nós em absolutos palhaços.

Não sei o que tá havendo esse ano. Aqui, pelo menos, não tem clima de copa. Uma ou outra rua enfeitada, não percebo nada demais. É até bom...sinal que a vida é maior, embora todas as atividades já estejam cronologicamente sintonizadas com os horários dos jogos...rsrs

É assim. Acho que é simbólico. Emblemático. Temos ali um elenco representativo apenas. Não é o "Brasil" em campo, mas são sim, os que representarão os prováveis mais de 180 milhões de corações mais torcedores e fanáticos do planeta.

E eu já te disse. Tem que ganhar. Infinity até 2014: isso é real! hahaha

Beijoca, Íta!