sábado, 17 de abril de 2010

abrindo espaço: botafogo

hoje vai um texto de uma botafoguense que em palavras expressa o sentimento de torcer pelo time da estrela solitária. piadas entre torcidas não faltam. cantos nos estádios também não. o que falta é um pouco mais de respeito, por parte de todos. bati muito nesta tecla nos posts dessa semana. um respeito pelo ser humano que credita a um outro time uma paixão além-fronteiras. uma paixão que deve ser exaltada e parabenizada, independentemente das cores que se vestem. uma paixão que deve ser admirada.
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O final de tarde desse domingo será marcado por mais um “Clássico da Rivalidade”. A paixão alvinegra entra em campo mais uma vez, acompanhada de jogadas eficazes, sorte, de futebol óbvio, ou seja lá do que for, mas estará lá, no duelo final, novamente.
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Do outro lado, um Flamengo um tanto abalado por um cenário de crise que se instala tanto pontualmente em alguns de seus atores, como na atuação de seu elenco inteiro, dados os resultados negativos que vem apresentando.
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Vantagem pra nós? Não, não acredito. O Flamengo tem um peso histórico colossal e não parece se abalar diante de decisões. Basta recordar os últimos três anos. E ainda quentes na memória, último título carioca e brasileiro. Bem diante dos sôfregos olhos botafoguenses. De certo, pode-se esperar um Flamengo que vem com sede de vitória diante de um quase-oásis no qual já se acostumara a beber.
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Mas como bem alertou Fahel, não se vive de passado. Se assim fosse, resgataríamos - Ítalo e eu - antiqüíssimos 8 x 1 do Mengo em cima do Bota, devolvidos, em seguida, no 9 x 2 do Bota sobre o Mengo. Essa saudade aí resvala em poesia.
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Mas não seria esse amor algo poético? Para mim sim. Eu lembro exatamente o dia em que comecei a torcer Botafogo. 1º de dezembro de 1988. em um jogo contra o Vasco, o Botafogo perdeu de 3 x 0, resultado que se dissolveu na simbologia líquida do amor nas lágrimas da gandula, a então menina Sonja, uma já apaixonada pelo time e que eu, com a mesma idade dela – 12 anos, apenas - me comovi. A partir dali, o futebol, que era um evento que acontecia de quatro em quatro anos emoldurado de verde e amarelo, ganhou outros tons e uma estrela amarela e solitária e iluminar gramados todos os anos.
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Faço minha as palavras justas de Armando Nogueira: “Nascia, ali, uma simpatia de mão única, pois o Botafogo nem sabia da minha reles existência. Não sabia, nem precisava saber. O futebol é assim: desperta na pessoa um sentimento virtuoso que transcende a amizade, que vai além do amor e culmina no santo desvario da paixão. Tem de tudo um pouco, porém, é mais que tudo. Torcer por uma camisa é plena entrega. É mais que ser mãe, porque não desdobra fibra por fibra o coração. Destroça-o de uma vez no desespero de uma derrota. Em compensação, remoça-o no delírio de uma vitória.
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Não consigo enxergar em outro time tanta inspiração. Tanta motivação ao amor que pode haver pelo futebol. Brota da magia de Garrincha, Nilton Santos, Didi e até das lágrimas de Sonja. Da possibilidade de ver o chamado “futebol feijão-com-arroz” da atualidade se fazer campeão. Poderia uma vitória ter cor mais autêntica?
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Decisão sempre dá medo. Decisão contra o Flamengo dá mais medo e o discurso de que o amor pelo Fogão está acima de uma questão de vitória ou derrota eu vou deixar para elaborar domingo à noite e com fé, nem o farei. Vou acreditando na magia. No encanto que, mais uma vez, Armando Nogueira fala infinitamente melhor que eu: O Botafogo é bem mais que um clube - é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus.
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De todo o arco-íris, elejo e desejo o preto e branco para revelar o domingo Glorioso.
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Monica Saraiva
17 de abril de 2010.
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ítalo.

10 comentários:

Camila disse...

bonito texto!

É amanhã! Vamos Flamengo!!!!! *-*

Renata de Aragão Lopes disse...

Eu botafoguense,
cercada de amores flamenguistas!
Que dureza! (risos)

Beijo e excelente domingo,
doce de lira

Wilson Torres Nanini disse...

Ótimo texto.

Não sei se é só um resvalo em mim, mas me parece que o futebol carioca - à revelia do descuido corrupto de alguns dirigentes - mantém muito do que outrora foi chamado de era romântica do futebol.

Um forte abraço! E para ser do contra, eu: mineiro provisoriamente torcendo pro Fogo!!!

Paulo Rogério disse...

Belíssimo texto, que acessei pouco antes da sua Vitória! Meu Caio (de 5 anos) roía as unhas pelo Flamengo... Meus sobrinhos mineiros, a maioria, pelo Cruzeiro... Quando Caio encontrar um motivo forte como as lágrimas de sua Sonja, estará fechado um ciclo, qualquer que venha a ser sua opção definitiva...
Bjo!

Renata de Aragão Lopes disse...

Doce de lira atualizado
- merecidamente! : )

Beijo, Moni!

Í.ta** disse...

pensei em postar novo texto, sobre a final, sobre os vários jogos decisivos do final de semana. mas não vale a pena. o que vale é manter este texto da moni como forma de homenagear os botafoguenses e sua importante e bonita e merecida conquista. não é silêncio de perdedor, não. é reconhecimento ao vencedor. talvez isto seja o que mais falte a nós, torcedores.

Léo Santos disse...

Parabéns ao Botafogo pelo título carioca! No começo da temporada se me fosse perguntado, o último que eu diria que seria campeão é o Botafogo! Mas, foi! É pra ver que quanto mais se gosta de futebol, menos se entende!

Um abraço!

A Moni. disse...

Eu, a botafoguense feliz, só tenho a agradecer ao Ítalo pelo espaço.

O mundo é diverso. Não teria a menor graça se não houvesse o respeito pelas diferenças. E as brincadeiras também fazem parte.

É preciso ser leve até pra levar as coisas a sério.

Bom perceber que há quem ache que sensibilidade não é só coisa de mulher, bem como futebol não é só coisa de homem...

Somos mais felizes assim. Independente dos resultados.

Meu carinho, Ítalo!

Guilherme disse...

Achei muito bom o seu texto, principalmente as palavras do botafoguense Armando Nogueira.
Abraços. Guilherme.

Hannah Abraão disse...

O domingo foi de vocês e a escrita foi sua, Moni, belo texto... Bem, antes o Botafogo do que o Vasco. bjs e voltarei por aqui (hoje, mais do que nunca, com um coração "tricolor de aço"!)