sábado, 12 de dezembro de 2009

lá no maracanã, domingo passado

faz quase uma semana. seis dias. agora que a ficha tá caindo. a ficha do hexa, de ter assistido ao vivo ao jogo mais importante dos últimos 17 anos da história do clube mais popular do país.
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nós conseguimos ir até lá. nós, eu, nice, camila e pai da camila.
fomos em excursão. que não foi das melhores. uma bagunça só. tudo atrasou.
mas, enfim, o que nos importava mesmo não era o atraso na saída de jlle, na chegada ao rio, a fila gigante na gávea, o hotel fuleira em que tivemos que ficar, ou a subida ao cristo. o que nos importava mesmo, o que nos deixava ansioso ao extremos, era o jogo, era o maracanã.
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às 14h do domingo saímos de um restaurante perto do maraca, e para lá rumamos. em dois ônibus.
um trânsito horroroso. nada andava naquela cidade vestida em vermelho e preto. era uma agonia só.
o que me tranquilizava era saber que o maraca abriria somente às 15h.
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porém, o que antes me tranquilizava se tornou um sufoco depois.
chegamos na fila para entrar no maraca, na rampa ao lado do portão 20, poucos minutos depois das 15h. ou seja, haviam aberto há pouco tempo o estádio. a fila andava, observávamos já do ônibus.
uma fila sem fim. um tumulto de gente ao redor. um mar de gente, na verdade. algo assustador, sem dúvida.
andamos pra caramba até encontrar o final da bendita fila. e a coisa foi indo numa boa... (foto)

subimos a rampa. já eram 16h. coração batia descompassado. sol de rachar na cabeça. as pernas já tremendo. de nervoso e de medo de não entrar.
faltava uma hora pro começo do jogo. pensamos: ô, uma hora é tempo de sobra pra entrarmos.
porém, olhamos no relógio e já eram 16h20, e continuávamos no mesmo lugar, na subida da rampa, quase no portão de acesso.
aí bateu o desespero. percebemos que haviam fechado o portão. percebemos que alguns torcedores, já dentro do estádio, fizeram uma corda com camisas do fla e jogaram para baixo, lá onde estávamos, um pouco mais a nossa frente. e alguns doidos começaram a se pendurar nessa fragilíssima corda para entrar no estádio. um deles foi o "sorteado". a corda de camisas se rompeu quando ele estava a três metros do chão. foi aquele baque.
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chegou a polícia, chegou a cavalaria, deu bomba de gás, uma bagunça. tumulto. empurra-empurra.
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saímos correndo. estávamos em quinze por lá. os outros da excursão haviam se espalhado já. e corremos. corremos em busca de um portão aberto para entrarmos no estádio. corremos e corremos. passamos por outra fila gigante, outro portão fechado. e continuamos a correr. até uma outra rampa, do outro lado do estádio.
portões abertos. corremos ainda mais. um empurra-empurra para entrar lá. uma agonia. o medo de ter viajado mais de 16 horas para ficar de fora do jogo. o medo de ser esmagado naquele tumulto.
entramos. próximo passo, as roletas, onde são colocados os ingressos. ali percebemos a quadrilha. como age essa turma. nossos ingressos não foram passados nas catracas. ficaram nas mãos dos que as recebiam. ou seja, entrava quem quisesse. teve neguinho pulando as catracas. teve um, da nossa excursão, que entregou o bilhete do cristo redentor e entrou. e a polícia ali ao lado, sem agir, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
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não era hora de reivindicar nada. mas o esquema foi este: abriram os portões a quem quisesse. depois, percebendo a super-lotação, fecharam os mesmos portões, deixando para fora milhares de torcedores com ingresso na mão. nós conseguimos entrar por sorte. porque havia, ainda, um portão de acesso aberto. porque, no que entramos, esse mesmo portão foi fechado.
assim estava o maracanã durante o jogo. aí é uma foto do local onde ficamos. atrás do gol onde o david empatou o jogo para o fla.
era gente demais, demais. só ali onde estávamos eram dois por cadeira. ninguém sentou o jogo todo. os corredores entre as fileiras de cadeiras estavam tomados. ali estávamos.
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meu único medo não era o de perder o título. meu medo era, por consequência da perda do título, dar um quebra-pau sem tamanho naquele estádio. tanto que, enquanto o grêmio vencia, a revolta na torcida era total.
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o fla jogou mal o jogo todo. nervoso, ansioso. a torcida fez uma festa impressionante antes do jogo. e, claro, vendo o time atordoado em campo, ficou super nervosa nas arquibancadas, pouco conseguindo cantar, o que é natural.
havia um medo de uma nova decepção. havia, na lembrança, um santo andré e um américa-méx.
eu olhava para os lados constantemente. olhava o semblante dos torcedores ao meu redor. olhares apreensivos. olhares chorosos. um roer de unhas e morder de camisas como nunca vira.
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eis que saiu o segundo gol. o gol da virada. o gol da vitória. o gol do título. explodiu aquele maracanã. a festa, ali sim, começou. ou foi retomada. festa tão linda quanto antes da bola rolar.
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chorei, choraram, choramos. uma emoção indescritível. só quem torce mesmo por um time sabe o que é sentir emoção assim. quem não tem esse sentimento por um time, jamais vai entender. e é bom que não entenda mesmo. apenas, que respeite.
a partir do segundo gol, pra onde eu olhava, eu via lágrimas nos olhos dos torcedores. uma alegria que contagiava. uma emoção que arrepiava.
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o futebol provoca isso nas pessoas. como? por quê? eu não sei. mas provoca. e eu sou uma dessas pessoas que se deixam emocionar por uma partida de futebol.
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um pouco do que eu vivi naquele domingo passado está registrado aqui. mas só um pouco. porque não tenho como descrever tudo o que senti durante aquele jogo, e muito menos após o jogo, em que pude gritar a plenos pulmões: hexacampeão!
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ítalo.

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