terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rio 2016

Escreveu assim o sociólogo Maurício Murad, na Folha de São Paulo de sábado (03): “Esporte é uma atividade socioeducativa, uma expressão de identidade, um fator de socialização. Os esportes contribuem para aproximar da sociedade aqueles que a economia e a política afastam. Nenhum evento esportivo resolverá nossas questões básicas, estruturais e históricas, mas poderá ajudar. E como!”.
_____Taí. É fato.
___Os Jogos Olímpicos de 2016 serão mesmo no Rio de Janeiro, aquele abraço de cidade, como dizem. Com uma vitória folgada e incontestável, o Rio venceu a parada contra as fortes concorrentes Tóquio, Chicago, e Madrid.
____Pra variar, a polêmica já começou. A turma do contra, e a turma do a favor. Como se tudo nessa vida pudesse ser (des)organizado dessa forma. É preciso, antes de qualquer opinião sem fundamento, ponderar algumas coisas, o que não significa ficar em cima do muro, e sim levar em conta aspectos que não devem passar despercebidos nessa questão.
_____Eu coloquei a frase do Murad no começo do texto para reforçar algo em que acredito: o esporte como elemento de socialização e de educação do ser humano. O esporte como oportunidade de vida mesmo. Será que é preciso citar exemplos de fulanos, beltranos e ciclanos para que se perceba o quanto a atividade esportiva – quando bem feita, quando organizada, quando executada com competência e com objetivos de humanização – contribui para a formação de uma sociedade um pouco menos cruel e desigual como a que vivemos?
____É claro que existe a preocupação com o que poderá ser feito do Rio de Janeiro – e do Brasil – nessa re-construção da cidade. Mas daí a se colocar contra a realização dos jogos, é dar tiro no pé. Por um acaso é só no Rio que existe superfaturamento em obras? Por um acaso é só no Rio que existe violência? Por um acaso é difícil acreditar que é possível sediar uma Olimpíada?
____É claro que é possível! Que complexo de vira-lata é esse que acomete o brasileiro? Que o faz ser um descrente de primeira grandeza? Que o faz valorizar somente o que é feito lá fora?
____Eu posso ser uma Pollyana, sim. Não me incomodo com isso. Acredito, sim, que será difícil pra caramba dar conta disso, e de evitar que picuinhas políticas e falsamente ideológicas tomem proporções inalcançáveis. Mas acredito que esse país seja, sim, capaz de sediar um evento desse porte. Acredito, sim, que um marco desse só tem a trazer bons frutos ao país e a quem nele vive. Acredito, sim, que o Brasil pode repetir o que foi feito em Barcelona, em 1992, com um desenvolvimento de qualidade de vida inigualável após a realização das Olimpíadas.
_____Será preciso fiscalizar, cobrar, ser chato. Será. Da mesma forma que será preciso acreditar que dará certo. E que todas as mudanças realizadas nos serão úteis e aproveitáveis por longos anos. É o mínimo que cabe a nós.
___
ítalo.

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