quarta-feira, 19 de agosto de 2009

o meu pai e o futebol

ou o futebol e o meu pai.
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o fato é que: se hoje eu sou tão ligado assim ao futebol, torcendo pelo flamengo, isso se deve ao meu pai, que, mesmo antes de eu nascer, já tinha comprado uniforme do rubro-negro para mim. e, ainda mais, com poucos meses, o time pelo qual ele torcia ganhou o tetra brasileiro. daí, não tive como escapar. com cinco anos, vi esse mesmo time ser penta. aí, pronto, tava feito o estrago.
também, depois daquilo, quando de fato me tornei torcedor, quando passei a acompanhar o clube e o esporte diariamente, meu time não ganhou mais nenhum brasileiro. só duas copas do brasil, um punhado de podres estaduais. e eu feliz da vida com isso. deve ser praga de algum vascaíno de segunda. ou incompetência mesmo daqueles jogadores e dirigentes (tô mais com a segunda opção, porque vascaíno nem praga sabe jogar).
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ontem vim aqui pro pai, em joinville. e, não tem jeito, falamos de xis e ipisolones, de báscara e de einstein, se preciso for, de política e de economia, mas não há como não falarmos de futebol e do medíocre time do flamengo. e isso é tão bom. e isso é tão legal.
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dizem por aí que o futebol une as pessoas. e une mesmo. eu sou exemplo disso. ah, o futebol também afasta e causa brigas? mas o que é que se pode fazer com inergúmenos (tá certa essa palavra?) que têm a violência como princípio de vida? estes não são torcedores. são bandidos transvestidos de torcedores. uma pena que ainda não tenham sido exterminados.
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mas eu acredito, sim, que o futebol une as pessoas. une pais e filhos, une amigos distantes, une pessoas desconhecidas que, em cinco minutos de papo, tornam-se grandes amigos. é por isso que o nelson rodrigues dizia que o futebol é o ópio do povo. é a paixão popular. é a fuga semanal para todos os problemas cotidianos. pergunte a qualquer torcedor decente se ele se preocupa com a vida durante os noventa minutos de um jogo. é claro que não!
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agora que vim aqui no pai, e finalmente lembrei do que sempre me esquecia, vou pegar dele emprestado um livro que dei a ele de presente de aniversário ano passado, "o berro impresso das manchetes", do nelson rodrigues, que contém as crônicas completas da "manchete esportiva" dos anos de 1958-59, de quando o nelson escrevia lá.
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e, à medida que for lendo esse calhamaço, vou rabiscando algo sobre ele aqui no blog, porque o nelson era único em falar sobre futebol (não só sobre futebol, claro, mas sobre futebol também).
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aguardem e confiem.
e cobrem.
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ítalo.

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