quarta-feira, 5 de agosto de 2009

direitos iguais

no futebol, assunto é o que não falta. a cada dia surge um novo “assunto do momento”, devida ou indevidamente explorado pela mídia. a “bola da vez” foi a reação do léo moura, lateral direito do flamengo, ao fazer o gol de empate do time rubro-negro no jogo contra o náutico, domingo, no maracanã.
depois de ser vaiado o jogo inteiro, desde o começo (como já vem acontecendo há alguns jogos, devido ao seu desempenho abaixo do esperado), eis que o lateral direito se encontrava “no lugar certo, na hora certa” para completar a gol o rebate oferecido pelo goleiro do náutico. ou seja, fez um gol que qualquer boleiro faria (talvez o obina conseguisse jogar aquela bola na arquibancada ou na bandeirinha, mas aí é outra história. o “momento obina” já passou um pouco e ele tem feito alguns gols importantes).
o fato da discórdia aconteceu após o gol: léo moura esbravejou como, creio eu, nunca havia feito defendendo a camisa do flamengo. xingou a tudo a e a todos, com palavras ofensivas, dirigindo-se para a “nação”, posicionada em peso atrás do gol onde acontecera o lance. xingou com raiva, com ódio. nem comemorou. apenas mandou a diferentes lugares impróprios aqueles torcedores que o vaiavam havia tempo.
e aí se criou a bagunça. virou o tema da moda no mundo boleiro. opiniões prós e contras surgiram aos montes. e eu resolvi dar meus pitacos sobre isso também, após ler uma barbaridade de coisas a respeito...
é preciso lembrar e ressaltar algumas coisas para se interpretar a atitude de Léo moura: 1. o lateral, de fato, vem caindo de rendimento há muito tempo. jogando mal, de modo displicente, errando (quase) tudo o que faz. são fases pelas quais quase todo jogador passa. mas a dele já dura um bom tempo; 2. o torcedor, de modo geral, é: exigente, ingrato, desmemoriado, vive pela paixão, não pela emoção, e vive só do imediatismo. o torcedor do flamengo, então, é o dobro disso tudo, e o léo moura não foi o primeiro “premiado” do atual elenco. o outro lateral, o juan, também tava sendo “perseguido”, e também fizera um gol e não comemorara, em protesto às vaias que vinha recebendo; 3. a vaia é um direito do torcedor, que paga o salgado ingresso esperando ver um bom desempenho dos jogadores que vestem a camisa do seu time. acontece que, se em quinze minutos isso não acontece, ele já perde a paciência e começa a chiar e a vaiar; 4. e, se a vaia é um direito do torcedor, o jogador tem o direito de comemorar da forma que quiser, seja virando a cara à torcida (como fizera o juan), seja dando de dedo nela (como fez o léo moura, ou o romário já fez tantas vezes).
mas é claro, o torcedor é desmemoriado e é ingrato, como já escrevi acima. ele se sente no direito de xingar, de ofender, de vaiar. e faz isso porque está no meio de um bando que faz o mesmo que ele. e se sente ofendido quando o jogador faz um gol e vai dar de dedo nele. mas se esquece o torcedor do direito de ir e vir: se sou xingado, tenho o direito de xingar quem me xingou. é claro que o torcedor se esquece disso. ele tem sempre a razão.
não reprovo a vaia, mas quando feita num momento oportuno, e não desde o começo do jogo como a torcida do flamengo tem feito com alguns jogadores. e também não reprovo a atitude do léo moura (apesar de achar que o gol que ele fez era obrigação fazê-lo, e também apesar de achar que ele tem jogado mal). se o torcedor é guiado pela emoção, é preciso perceber que o jogador de futebol é um ser humano, que vive da emoção também, que é constantemente cobrado pelos seus atos, que tem que se policiar além do que deveria, uma vez que tem direitos que qualquer cidadão tem, que não tem que ouvir calado vaias e ofensas, e que tem o direito de comemorar como quiser quando se sentir ofendido. não concordo nenhum pouco com a possibilidade de punição ao jogador pelo modo como comemorou. o torcedor faz barbaridades no estádio e no jogo seguinte está lá. e o jogador, quando comemora dando de dedo no torcedor, é punido. tá tudo errado mesmo!
e, além do mais, esquece-se o torcedor do flamengo (que é o torcedor neste caso) que a vaia, hoje, antes de ser dirigida aos jogadores desde o começo do jogo, tem que ser dirigida a quem administra aquele clube extremamente bagunçado, que perde para sua própria grandeza incontrolada.

ítalo.

2 comentários:

Guif disse...

Achei bem interessante a comparação entre os dois lados Ítalo. Realmente se existe uma torcida que cobra muito dos jogadores (e sinceramente me incluo nessa torcida "que cobra") é a do Flamengo. Mas acho que o léo moura não tinha direito de xingar a torcida. Muito provavelmente na hora ele (movido pelas emoções, como vc bem citou)ele não pensou no que disse. Todo profissional, tem como obrigação dar o seu melhor (vejo desse ponto). Se ele não o faz é cobrado, independentemente do que já fez no passado. O mesmo ocorre com o léo moura. Tem que haver uma tolerância. Mas a fase que ele está não é de ontem. E creio que ele tem que aceitar essa situação e tentar melhorar. Quem vive de passado é meseu e ele deve voltar a dar o seu melhor.

Minha opinião

Ps.: Quanto a questão da diretoria, concordo plenamente.

Guilherme Felipe Busnardo

Í.ta** disse...

aqui as consequências do ocorrido:

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1264767-9865,00.html

como disse o fred há um tempo, é difícil jogar num país onde qualquer "vai a merda" rende punição.